Síndrome da Cabana por Paula Werneck

Síndrome da Cabana, já ouviu falar?

Conversamos com a psicóloga Paula Werneck para entender melhor o que é a Síndrome da Cabana e por que ela está afetando muitas pessoas neste período de retomada da rotina pós-isolamento social.

Se você tem interesse no assunto, então prepare-se para uma leitura cheia de informações relevantes.

O que é a Síndrome da Cabana?

"Síndrome da Cabana" é um termo que começou a ser utilizado no início do século XX, no norte dos Estados Unidos (cabin fever), quando trabalhadores/caçadores ficavam confinados em cabanas para aguardar o fim do inverno rigoroso. Posteriormente a esse período, sentiam dificuldade de retornar à civilização e às atividades de trabalho.

Atualmente, esse termo vem sendo utilizado para explicar os sentimentos de angústia e medo diante da ideia de sair de casa, após o confinamento social decorrente da pandemia da COVID-19.

Como saber que estamos em crise?

Diante do atual cenário persistente de pandemia e a possibilidade real de uma contaminação, a síndrome é um fenômeno natural, uma reação a tantas mudanças e restrições. Ela não é considerada uma doença ou transtorno mental.

A síndrome se caracteriza por sintomas como alterações de humor, perda de memória e concentração, sensação de impotência, alteração da rotina do sono, ansiedade, inquietação. Mas é importante estar atento aos sinais de agravamento, pois eles podem desencadear sintomas severos como distúrbios alimentares ou um quadro depressivo.

Como superar a Síndrome da Cabana?

Há alguns recursos possíveis que ajudam na autorregulação, como:

- estabelecer uma rotina (organizar os seus horários, criar hábitos de leitura, fazer exercícios físicos);

- evitar notícias trágicas e alarmantes;

- manter contato com sua rede de apoio (familiares e amigos);

- observar e respeitar o próprio tempo: não se cobrar uma proatividade imediata, ir retomando aos poucos a rotina fora de casa.

E, principalmente, buscar ajuda profissional, caso os sintomas estejam prejudicando a  própria vida, paralisando as atividades e trazendo prejuízos diversos.

Existe algum tratamento preventivo?

Como psicóloga clínica e hospitalar, preciso reforçar a importância das psicoterapias. A psicoterapia é um tratamento que visa desenvolver o autoconhecimento, restabelecer um equilíbrio e maior controle das reações e emoções, e promover uma boa saúde mental. O trabalho psicoterapêutico faz com que o sujeito possa identificar suas emoções e ativar seus próprios recursos em diferentes situações de ameaça psíquica.

Fora os recursos de rotina, como atividade física, uma boa alimentação, contato com a luz do sol, que ajudam a manter a energia e são fatores importantes na prevenção de doenças.

Quais dicas você daria às pessoas que estão vivendo a síndrome e precisam ir retomando a rotina de sair para trabalhar etc?

Se observe e priorize situações e pessoas que lhe ajudem a se sentir mais seguro. Caso esteja se sentindo incapacitado, e o medo de sair de casa esteja fora do controle, busque, então, ajuda profissional.

Como diferenciar a síndrome de TEPT?

A Síndrome da Cabana em si não é uma doença, não é um diagnóstico. O transtorno do estresse pós-traumático (TEPT) é apresentado com critérios diagnósticos nas classificações internacionais - CID e DSM (Manual Diagnóstico dos Transtornos Mentais).

O TEPT caracteriza-se por um conjunto de sintomas físicos e psíquicos que se manifesta após a exposição a um evento traumático grave. São reações disfuncionais intensas e persistentes de revivência, angústia intensa, que têm início após um evento extremamente traumático, que ameaça a vida. Toda vez que o estresse é lembrado, o sujeito volta a sentir o mesmo sofrimento e dor vivenciados anteriormente pelo agente estressor. A Síndrome da Cabana pode ser uma reação temporária, uma resposta adaptativa e sem danos à saúde. Portanto, esteja atento a essas diferenças e, na dúvida, converse com um profissional.

Existe ligação entre a Síndrome da Cabana e TEPT?

Algumas pessoas podem posteriormente reviver o estresse e medo causado pelas perdas - perda de alguém, perda de emprego e limitações da pandemia -, e isso interferir significativamente no curso da vida. Em situações assim, podem desenvolver outros quadros, como transtornos de ansiedade, transtornos alimentares, depressão e até mesmo a revivência traumática em um quadro de TEPT.

Palavras finais

Algumas pesquisas apontam que um grande número de pessoas sente insegurança em voltar à rotina, frequentar locais como academias, shoppings, restaurantes. É normal sentir algum receio e ansiedade ao pensar nesse retorno. Estamos lidando com algo muito novo e ainda testando as saídas e recursos para a saúde mental.

É importante cada um poder avaliar os riscos reais, respeitando o seu próprio tempo, manter o autocuidado e, principalmente, não estar em um isolamento emocional. Se o isolamento físico ainda é necessário, que a rede de apoio, as pessoas queridas e a boa qualidade do afeto, estejam presentes (mesmo que online) para nos ajudar a retomar a vida fora de casa.


Teste do pezinho

Teste do pezinho: informações que você precisa saber.

Hoje, vamos falar sobre o famoso teste do pezinho, que é capaz de detectar doenças genéticas ou congênitas - alterações que, ao serem identificadas precocemente, promovem às crianças a possibilidade de tratamento e acompanhamento pelos serviços de referência. 

Destacamos informações que a nossa Coordenadora Médica, a pediatra Cristiana Meirelles, preparou para você ficar bem informada.

O que é o teste do pezinho?

O Teste do Pezinho faz parte da triagem neonatal e é um exame realizado a partir de gotinhas de sangue do recém-nascido, colhidas em papel filtro especial.

Por que o teste do pezinho é feito no pé?

O sangue é comumente colhido do calcanhar do bebê por ser uma parte do corpo rica em vasos sanguíneos e muito segura para a coleta, mas também pode ser coletado através de punção venosa.

Qual a principal função desse exame?

O objetivo do teste é detectar se o recém-nascido  é suspeito de ter alguma das doenças metabólicas, imunológicas e infecciosas pesquisadas. Elas são investigadas através do exame, ainda no período em que o bebê não apresenta sintomas. Muitas vezes, os sinais da doença surgem mais tarde, mesmo que não existam casos anteriores na família.

Caso algum dos resultados seja positivo, há necessidade de continuar a investigação para que se exclua ou se confirme o diagnóstico.

Qual o prazo para fazer o teste do pezinho?

A grande importância desta triagem neonatal é a detecção precoce de diversas doenças, algumas delas bastante raras, possibilitando o tratamento específico e reduzindo ou eliminando danos irreversíveis para a criança. Quanto maior a rapidez na identificação e início do tratamento das doenças, maior a possibilidade de evitarmos sequelas como a deficiência mental, microcefalia, convulsões, fibrose do pulmão, entre outras complicações, inclusive a morte.

Como recomendação geral, e para maior efetividade do teste, deve-se realizar a coleta da amostra de sangue do bebê a partir de 48 horas após o nascimento e até o 5º (quinto) dia de vida.

Existe mais de um tipo de teste do pezinho? 

Existem diversos tipos de testes do pezinho. As diferenças entre eles estão na tecnologia utilizada para análise e na quantidade de doenças e condições pesquisadas. Sendo assim, converse com um profissional para saber qual teste optar, dependendo da sua expectativa em relação a abrangência do resultado. Confira a tabela abaixo:

Teste do Pezinho, Receiturário

Qual tipo o SUS oferece?

No Brasil, o Teste Básico deve ser realizado em todo recém-nascido de forma obrigatória conforme determinação do Ministério da Saúde. O teste do pezinho no Sistema Único de Saúde (SUS) possibilita o diagnóstico precoce de fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, doença falciforme e outras hemoglobinopatias, fibrose cística, hiperplasia adrenal congênita e deficiência de biotinidase.

Teste do pezinho na rede privada

Os Testes Ampliados, realizados na rede privada, abrangem um número maior de exames. Eles podem contemplar mais de cinquenta diferentes doenças, tais como Imunodeficiência Combinada Grave, agamaglobulinemia congênita, deficiência de G6PD, galactosemia, leucinose e toxoplasmose congênita. Portanto, se quiser um teste mais completo, você só pode encontrar na rede privada.

Sobre os resultados

O resultado normal do Teste do Pezinho não afasta a possibilidade de ocorrer deficiência mental ou comprometimento neurológico por outras causas, sejam  elas genéticas ou adquiridas. O teste também não diagnostica alterações cromossômicas, como por exemplo a síndrome de Down. Portanto, converse bastante com seu médico para saber exatamente quais exames deve fazer para detectar cada doença.

Consulta pré-natal

Toda mulher no 3º trimestre de gestação deve fazer uma consulta pré-natal com o futuro pediatra do bebê. O profissional irá orientar tudo sobre o Teste do Pezinho e outros exames de triagem neonatal. São eles, o Teste do Olhinho (reflexo vermelho), o Teste da Orelhinha (exame de Emissões Otoacústicas Evocadas) e o Teste do Coraçãozinho (oximetria de pulso).

Quer ler mais sobre o assunto? Então visite a nossa página no site. Quer agendar com a Beep? Clique aqui! 

 


Mãe e filha na creche

Creche: quando colocar o meu filho?

Creche! Uma questão que em algum momento se faz presente na vida da maioria dos pais.

São várias as motivações que podem levar à escolha pelo ingresso na creche: pais que trabalham e não têm com quem deixar seu filho após o término da licença-maternidade, pais que estão cansados da dedicação total ao bebê e precisam de parte do dia livre e aqueles que acreditam que é importante que haja socialização e contato com outras crianças.

Junto com a dúvida, chegam várias questões - que a Dra. Cristiana Meirelles, nossa Coordenadora Médica, ajuda a esclarecer nos parágrafos abaixo.

Qual a idade mais indicada para colocar o bebê na creche?

Pensando em socialização, não há motivo para entrada na creche antes dos 2 anos de idade. Sem dúvida, a interação com outras crianças (e adultos) é benéfica. No entanto, antes de 2 anos, em média, a criança gosta de brincar sozinha. Pode ficar curiosa com a presença de outro bebê assim como um brinquedo desperta a sua atenção, mas não percebe na criança um semelhante com quem pode interagir. Mais próximo dos 2 anos, inicia-se a ideia de brincar ao lado de outra, eventualmente com alguma troca. A partir daí, a socialização vai aumentando, até que brincar em grupo se torna algo muito divertido.

Além disso, após 2 anos de idade, o sistema imunológico está mais maduro, há melhor desenvolvimento da visão e da audição, a comunicação (fala) está mais aprimorada e a marcha mais firme e o desfralde já pode ser iniciado na maioria das vezes, fatores que facilitam a vivência na creche.

Portanto, para um lactente (bebê até 2 anos de idade), o mais indicado seria que um familiar ou uma babá de confiança assumisse os cuidados com o bebê na ausência dos pais. O familiar (avó, tia, madrinha) precisa ter vontade e disponibilidade e a babá deve ter recomendação com boas referências e, preferencialmente, iniciar o trabalho supervisionada pela mãe ou outro familiar.

Quais os benefícios de o bebê ir cedo para a creche?

Caso os pais não disponham de um familiar ou uma boa babá, a creche se torna a única opção. Quando a escolha é criteriosa, há benefícios de garantirmos um local seguro, com cuidadores carinhosos e atenciosos, com atrativos para o entretenimento da criança, favorecendo seu desenvolvimento neuropsicomotor. 

Um local com brinquedos coloridos, espaço ao ar livre, funcionárias amorosas que leiam histórias e sejam atentas às necessidades do bebê pode ser uma opção preferível a uma babá que se limita a alimentar e higienizar a criança, por exemplo.

Os avós, além de muitas vezes trabalharem ou não poderem/quererem ter o compromisso dos cuidados diários, podem ter conceitos antigos em relação à introdução alimentar e métodos de educação não utilizados pelos pais. É importante que haja respeito às decisões da mãe e do pai, sem intervenção autoritária, sem desqualificar a criação deles e de forma afetuosa e com empatia.

Quais os benefícios de o bebê não ir cedo para a creche?

Uma das principais vantagens de adiar a ida para a creche é evitar as “crechites”, ou seja, as doenças comuns da infância que se tornam muito mais frequentes quando há contato diário por muitas horas com outras crianças.

Quando a mãe volta ao trabalho, o bebê perde suas referências e sua rotina e, nessa idade (até 1-2 anos), o vínculo afetivo e o atendimento personalizado são valiosos. Na creche, o cuidado será compartilhado entre várias cuidadoras, tornando difícil essa ligação.

Caso os avós possam assumir esses cuidados, ainda há ganhos maravilhosos. Eles podem ser excelentes contadores de histórias inclusive da família, transmitir o saber de geração em geração e passar a sensação de pertencimento à criança. 

O que uma mãe deve se atentar ao escolher a creche do filho?

Uma dica importante é contar com indicações de pessoas de confiança, conversar com outros pais que tenham referências da creche.

Atenção especial deve ser dada à segurança do local. Observar se há redes em janelas e escadas, escadas com antiderrapante, cozinha com porta de segurança, extintores de incêndio e saídas de emergência.

Outro ponto fundamental para a saúde do bebê é a higiene. Visitar o local de surpresa para avaliar a limpeza das salas, banheiros e cozinha, como é o preparo dos alimentos e a higiene das cuidadoras.

O número de funcionários e a sua capacitação, assim como a quantidade de crianças por sala, também devem ser considerados. Muitos bebês com poucos cuidadores sobrecarrega o funcionamento da creche, prejudicando os cuidados com cada criança.

Crianças brincando na creche

Quais atividades ideais uma creche deve ter?

É muito importante prestar atenção nas atividades oferecidas para essa tomada de decisão. É interessante que haja um projeto pedagógico, com brinquedos adequados para cada faixa etária, brincadeiras e estímulos de acordo com o estágio de desenvolvimento da criança e atividades ao ar livre.

O espaço físico deve ser adequado, com um ambiente arejado, com luz do sol e boa circulação de ar. Não deve haver televisão nem tablets nas salas, já que o uso de telas até os 2 anos de idade é formalmente contraindicado.

Outra consideração importante é o cardápio da creche, principalmente em relação aos lanches, que não devem conter açúcar, farinha, biscoito açucarado, mel, alimentos industrializados, cereais com açúcar e sucos de caixinha, por exemplo.

Doenças características do ambiente de creche

As principais são as doenças infectocontagiosas. Elas podem ser transmitidas via respiratória, através da fala, tosse e espirros, por contato direto pessoa a pessoa e via fecal-oral. 

Incluímos nessa lista os resfriados, conjuntivite, gastroenterite aguda, parasitose intestinal, síndrome mão-pé-boca, estomatite etc. Na creche, há risco de infecções mais graves e sequelas, como pneumonia e otite de repetição, por exemplo.

Creche criança resfriada

Os lactentes

Em média, lactentes apresentam 8 a 12 infecções de vias aéreas superiores em um ano. A impressão que se tem é que a criança frequentadora de creche está resfriada o tempo todo, quando, na verdade, é uma infecção seguida de outra. Compartilhar brinquedos e chupetas, além do convívio muito próximo e prolongado com outras crianças, predispõem a uma maior ocorrência.

Neste aspecto, é fundamental que a caderneta de vacinação da criança esteja sempre atualizada conforme a recomendação do pediatra. É importante, também, que o aleitamento materno seja mantido pelo maior tempo possível.

Isolamento dos doentes

A pandemia de Covid-19 nos fez lembrar de algo muito importante e que culturalmente não seguimos, que é o isolamento dos doentes. Isto é, caso uma criança apresente qualquer sinal de doença infectocontagiosa, seja uma simples febre baixa, diarreia ou coriza, é preciso que não frequente a creche para evitar a transmissão a outras crianças e aos funcionários. Nessas horas, deverá haver um plano B, um esquema alternativo para os cuidados com a criança. Da mesma forma, uma cuidadora doente deve ficar afastada até seu restabelecimento completo.

Quando a creche for a escolha, anote uma dica fundamental: observar a interação entre os cuidadores e as crianças. Se elas estiverem felizes é um ótimo sinal. Siga a sua intuição.


Conheça os marcos do desenvolvimento do bebê

Acompanhar o crescimento do bebê é um dos presentes maravilhosos que a maternidade/paternidade proporciona. Esse crescimento é definido pelos marcos de desenvolvimento, que são características que o bebê vai adquirindo com o passar dos dias, semanas e meses de nascido. São essas características que afirmam sua evolução para um futuro cada vez mais independente. 

Conversamos com a pediatra Dra. Natália Bastos, que explicou os marcos e suas principais características.

O que são marcos do desenvolvimento? 

Os marcos de desenvolvimento são pequenos registros que devemos acompanhar a cada consulta, para checar se os pequenos estão seguindo adequadamente. De acordo com o observado, é preciso avaliar a necessidade de orientar os pais quanto a estímulos mais específicos, estimulação precoce ou procurar um neuropediatra para uma investigação mais aprofundada!

Quais são os marcos do desenvolvimento mês a mês?

Do primeiro mês ao primeiro ano de vida, confira a tabela com os principais marcos do desenvolvimento do bebê:

 

Tabela Marcos do Desenvolvimento do Bebê

Como são os saltos nos dois primeiros meses de vida do bebê?

Com um mês, o bebê enxerga 25 centímetros, já passando para os 50 centímetros no segundo mês. Os pais irão notar uma melhora progressiva do desenvolvimento da visão, com necessidade de uma avaliação com o oftalmologista aos 6 meses de vida para uma consulta completa.

Por volta do primeiro para o segundo mês de vida observamos a formação de lágrimas!

A interação aumenta a partir do terceiro mês. 

No terceiro mês de vida devemos observar a sustentação de pescoço. Além disso, a visão está ainda melhor, o que facilita também o aumento da interação do bebê. No quarto mês, podemos estimular sentar com apoio, mas vale destacar que sentar sem apoio é somente a partir do sexto mês - quando também podemos ouvir as primeiras falas, aquele “dialeto” tão peculiar dos bebês.

 

Marcos do Desenvolvimento do Bebê. Bebê sorrindo

Quando o bebê começa a se preparar para engatinhar? 

A partir do sexto mês, cuidado ao trocar as fraldas, pois é nessa fase que eles começam a rolar. 

Entre os 7 e 9 meses observamos o estímulo dos 4 apoios iniciando com sustentação do tronco, elevação do quadril, balanço para frente e para trás. Muitos iniciam “dando ré” e, por fim, engatinham! É uma delícia acompanhar esse desenvolvimento.

Nessa fase percebemos um apego maior com a mãe pois, exatamente nesses meses (entre os 7 e 9), o bebê passa pela fase de ruptura do cordão umbilical - portanto, ele entende que não é mais ligado fisicamente à mãe. Por isso, não tê-la no seu campo de visão rende aquele choro! Devemos abusar da brincadeira de “cadê a mamãe?”, pois ajuda muito a trabalhar esse medo da separação.

Quando o bebê começa a andar?

Entre 9 meses e 12 meses observamos o bebê ficar em pé com apoio e andar de lado! Claro que temos sempre alguns adiantados, que já andam nessa fase, e não há problema nisso. O que não devemos estimular é o pular de fases! O bebê deve passar por todas: sentar, engatinhar, ficar em pé e andar.

Ah, e prepare a câmera, pois com 9 meses eles batem palmas, dançam, apontam, mas sempre que queremos mostrar para os amigos não fazem nada! Então, esteja sempre alerta para registrar esses momentos maravilhosos. 

Entre 12 meses e 15 meses observamos os pequenos dando os seus primeiros passos.

E a fala? Como é e quando se inicia?

Como já dissemos um pouco mais acima, dos 3 para os 4 meses temos muitas tentativas de balbuciar palavras. Dos 6 para 7 meses podemos ver um “AGU” e um “BABABA”. É no sétimo mês que começamos ouvir muitos gritinhos. Até 12 meses o bebê reconhece o nome, portanto, muitos já falam “mamãe” e “papai” (ou “mamã” e “papa”). Aos 18 meses, os bebês falam por volta de 10 a 15 palavras! Converse muito com o seu bebê pois esse desenvolvimento é maravilhoso, com uma interação deliciosa de vivenciar.

Palavras finais da pediatra sobre os marcos do desenvolvimento.

Os marcos são importantes, pois além do desenvolvimento, ajudam os pais a saberem o que esperar até a próxima consulta ao pediatra! Lembre-se que um pequeno atraso não é determinante para o futuro do pequeno, mas cabe sim atenção nas consultas futuras e, se necessário, intervenção.

Desejo que viva com o seu bebê cada marco. Quando ele crescer, você vai sentir muitas saudades de cada um deles. Boa sorte!

 

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Dia Nacional da Vacinação

Dia Nacional da Vacinação. Faça a sua parte!

Hoje, dia 17 de outubro, é celebrado o Dia Nacional da Vacinação. Embarcando no simbolismo e importância da data, hoje é o Dia D da Campanha contra a Poliomielite e de Multivacinação que o Governo está realizando ao longo deste mês - com objetivo de atualizar as cadernetas de vacinação das crianças e adolescentes menores de 15 anos de idade.

Poliomielite em destaque no Dia Nacional da Vacinação

A campanha dá ênfase à vacinação contra Poliomielite, doença não detectada no Brasil desde 1989. As coberturas vacinais ainda são heterogêneas, podendo levar à formação de bolsões de pessoas não vacinadas, possibilitando a reintrodução do poliovírus. Por isso é tão importante atingir a meta de vacinação de 95% do público-alvo imunizado.

Vacinas do calendário básico de vacinação

Durante a campanha serão oferecidas todas as vacinas do calendário básico de vacinação da criança e do adolescente visando diminuir o risco de transmissão de enfermidades imunopreveníveis, assim como reduzir as taxas de abandono do esquema vacinal.

A imunização na primeira infância faz toda a diferença no futuro. Portanto, ao proteger o seu filho, você está ajudando a erradicar doenças graves, como o sarampo. Faça a sua parte! E conte com a Beep sempre que precisar. Compartilhe a matéria nos grupos de maternidade que você participa, vamos juntos nessa!

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Para ler mais sobre o Dia Nacional da Vacinação, clique aqui.


Método Montessori

Método Montessori, se familiarize com o tema!

Você conhece o método Montessori? Ele foi criado pela médica e pedagoga Maria Montessori, que realizou pesquisas científicas e empíricas para chegar aos resultados, por isso, leva seu nome. O método é caracterizado por dar ênfase à autonomia, liberdade com limites e respeito pelo desenvolvimento natural das habilidades físicas, sociais e psicológicas da criança. 

De acordo com sua criadora, o ponto mais importante do método é a possibilidade de libertar a verdadeira natureza do indivíduo - para que possa ser observada e compreendida, permitindo que a educação se desenvolva com base na evolução da criança. A criança é o centro do método montessori e o educador tem o papel de acompanhar o processo de aprendizado. Ele guia, aconselha, mas não dita e nem impõe o que vai ser aprendido pela criança.

Conversamos com a mãe e empresária Mariana Chame sobre o método Montessori. Formada em arquitetura, ela abriu um novo negócio um pouco depois de ter o seu primeiro filho, Benjamim. 

Método Montessori, mãe e filho

Ainda na gestação, Mariana se inspirou em educá-lo da melhor forma, na sua visão, se aprofundando no método. Seu encantamento foi tanto que criou a TATO, marca de móveis voltada para o universo infantil e à educação Montessoriana. Todos os produtos que a marca disponibiliza são testados pelo Benja antes de entrarem no mercado. Contudo, só disponibilizam para venda após aprovação do consumidor final.

Criança usando pia com método montessori

Leia esse “bate-papo” delicioso que, além de destacar o método, mostra também uma mãe empreendedora que se inspirou na maternidade para criar seu próprio negócio.

Qual foi sua principal inspiração para focar o seu negócio no método Montessori?

A minha principal inspiração foi meu filho. A empresa nasceu um pouquinho depois dele! O nosso maior objetivo foi, e continua sendo, compartilhar e difundir uma filosofia de educação pensada para os pequenos, contribuindo para o desenvolvimento de todo o potencial das crianças. Simplesmente víamos acontecer em casa e ficávamos cada vez mais maravilhados com os resultados. 

O que é o estilo Montessoriano?

É pensar no ambiente pelo ponto de vista das crianças e a melhor forma de fazer isso é agachar até o nível do chão e prestar atenção no que se vê e se ouve, para então proporcionar um espaço seguro e preparado especificamente para as crianças. Contudo, ele precisa ser claro, limpo, ordenado, estimulante e que possa ser explorado, tocado e apreendido livremente, sem restrições e sem medos. A criança aprende fazendo e experimentando, pois seu foco não está no mundo e sim nela mesma.

Cama infantil método Montessori

Como funciona este método?

É um conjunto de teorias, práticas e materiais didático-pedagógicos concebidos por Maria Montessori. Seu maior objetivo é libertar a verdadeira essência do indivíduo a fim de que cada criança possa se desenvolver livremente com respeito às ​necessidades, talentos e comportamentos predominantes, presentes na individualidade de cada infância. 

Brinquedo método Montessori

Permite que as crianças aprendam a seu modo, no seu próprio ritmo, com alegria de aprender. Isso é um fator muito importante no processo, pois contribui no desenvolvimento de pessoas equilibradas, com propósito e direção na vida adulta. As crianças que experimentam a alegria de aprender são crianças felizes, confiantes, satisfeitas e autônomas.

Dessa forma, quase tudo no método é autoeducativo e autocorretivo, então podemos dizer que é orientado para o sucesso.

Quando montar um quarto seguindo o método Montessori?

O quarto montessoriano pode e deve ser montado desde o nascimento do bebê. Cada fase, desde os primeiros meses, tem demandas específicas de desenvolvimento e o método montessoriano tem um olhar muito cuidadoso para cada uma delas. Todas as fases contemplam estimulação visual, decoração do ambiente, importância da música e brinquedos adequados a cada uma delas e sempre com o objetivo maior de viabilizar a exploração e o autodesenvolvimento.

Quarto método Montessori

Como é a educação Montessoriana?

É uma educação que parte do ponto de vista dos interesses da criança, sempre. É baseada na ideia de que os educadores sejam apenas orientadores e que as crianças sejam livres para um desenvolvimento sem restrições ou críticas. O método ajuda as crianças a tornarem-se mais facilmente independentes e autossuficientes.

A repetição de atividades é uma parte muito importante do processo de aprendizagem. Quando uma criança realiza uma atividade repetidamente, constrói sua concentração, persistência e habilidade de lidar com a frustração e assim vai se percebendo no mundo por meio de suas ações.

Cama casinha método MOntessori

Em escolas Montessori, as turmas normalmente são formadas por crianças de diferentes idades (1 a 3 anos e 4 a 6 anos). Nesses grupos, as crianças desenvolvem profundas relações onde as mais novas miram nos exemplos dos mais velhos, se apoiam e buscam ajuda, e os mais velhos ensinam, protegem e acolhem os mais novos.

Cama casinha método MOntessori

Na sua opinião, quais principais benefícios o método Montessori traz para as crianças?

A abordagem do método Montessori é muito prática e estimula o desenvolvimento de habilidades de observação, os cinco sentidos, movimento cinético, refinamento espacial, coordenação de habilidades motoras pequenas e grandes e conhecimento concreto para que seja possível a abstração posterior.  

Quarto método Montessori

O objetivo final é incentivar a aprendizagem ao longo dos anos, da infância à vida adulta, o estímulo à alegria de aprender, a felicidade sobre o caminho e o propósito do indivíduo na vida. O resultado disso são adultos confiantes, seguros, autônomos e, principalmente, felizes.

Em toda a linha da TATO, qual móvel você indicaria como fundamental? Por quê?

Eu indico as Cubos, que podem ser mesa e cadeira. São muitos os benefícios de uma criança que tem um conjunto de mesa e cadeira na sua proporção. As crianças aprendem fazendo e experimentando! Tendo mesa e cadeira adequadas ao seu tamanho, as crianças ficam livres para experimentar todas as possibilidades à sua maneira, no seu próprio ritmo, sem restrições.

As Cubos TATO têm dimensões diferentes e cada uma tem um sistema que permite ser usado por crianças de diversos tamanhos, bastando mudar a posição do assento. Elas são firmes e o formato com braços e encosto ajuda na estabilidade das crianças menores.

As mesinhas com cadeirinhas podem servir como um cantinho de DIVERSÃO onde as crianças podem pintar, desenhar, jogar ou brincar, utilizar para ESTUDAR, realizar tarefas, leituras e também ajudam na hora da ALIMENTAÇÃO, estimulando o senso de independência.

A função decorativa das mesas infantis não é menos importante: a beleza estética e equilíbrio das formas também são muito levados em consideração no método montessoriano e, por isso, as Cubos TATO têm um design especial que, depois que as crianças crescem, podem continuar fazendo parte da decoração da casa como mesa de cabeceira, mesas laterais e até banquinho para adultos. É um móvel muito versátil que segue útil para a família por muitos anos.

Cubos do método Montessori

À frente de uma empresa voltada para o método Montessori, você acha que a sociedade já é bem informada sobre ele?

Não tenho certeza do quão bem informada está a sociedade sobre o método. Por vezes, me parece que uma parcela conhece apenas o aspecto estético dos móveis inspirados no método montessoriano, portanto, sem conhecer o conceito e todos os benefícios por trás. Uma das missões da TATO é difundir esse conhecimento para o maior número possível de pessoas.

Qual mensagem você deixa para mães, pais e responsáveis que ainda não adotaram o método na criação dos seus filhos?

É maravilhoso assistir o próprio filho fazendo suas descobertas e aprendizados por si só, desde bem pequenininho. Nossa visão é que os espaços devem ser pensados para os pequenos, sob a óptica deles. Muitas vezes, nem é preciso comprar móveis específicos. Atitudes simples como colocar um colchão no chão, um cantinho de leitura com almofadas e livros no chão, quadros pendurados na altura deles e um espaço sem obstáculos, já são mais que suficientes para estimular a autonomia e independência dos pequenos!

Mãe e filho método Montessori

Se você gostou do conteúdo e se interessou em acompanhar o tema, o perfil da TATO Montessori divulga os seus produtos e destaca as características do método. Siga, fique por dentro e compartilhe com seus amigos que também possam ter interesse no assunto.


Fiocruz e a corrida pela vacina Covid-19

Quarentena | Como serão os próximos dias?

Quarentena. A palavra-chave do momento, muito falada na imprensa e nas mídias sociais, é a principal forma de determos o avanço do Coronavírus durante as próximas semanas, sendo assim, respeite o isolamento social, fique em casa.

Perspectiva de pico

Segundo estudos do Ministério da Saúde, a perspectiva é que tenhamos um pico da doença no país durante o mês de abril. Associado também com a chegada do outono, que tradicionalmente desperta outras viroses respiratórias. Neste cenário, a quarentena deve durar as próximas semanas e talvez até mais tempo. É delicado estipular um prazo no momento.

Aumento dos casos

A tendência é que o número de casos aumente muito nas próximas semanas, por isso é importante respeitar a quarentena e o isolamento social agora. Assim, evitaremos a disseminação rápida do vírus e impediremos que muitas pessoas se contaminem ao mesmo tempo. O alto volume de pessoas doentes pode sobrecarregar os sistemas de saúde (os hospitais têm um número limitado de leitos, CTIs e respiradores), portanto, é fundamental achatarmos a curva de número de casos em relação ao tempo.

Recomendações da quarentena

Para isso, valem as recomendações mais frequentes. São elas: tomar os cuidados de prevenção e isolamento social, sair de casa apenas em situações imprescindíveis, como ir ao mercado, à farmácia ou para procurar assistência médica. A regra vale principalmente para o grupo de risco, que inclui idosos e pessoas com comorbidade (hipertensão, diabetes tipo 2, cardiopatias, entre outras doenças). A quarentena deve durar pelo menos durante o mês de abril. 

Kits para teste

A chegada dos novos kits de testes liberados pela Anvisa também trará impacto no número de casos oficiais. Como temos poucos kits no momento, apenas os casos mais graves estão sendo testados, só que muitas pessoas são assintomáticas — estão infectadas, mas sem apresentar os sintomas — ou apresentam sintomas leves, que não estão procurando assistência médica e sendo contabilizadas. 

Como serão os próximos meses de quarentena?

Ainda não temos o cenário dos próximos meses muito definido, pois a pandemia é nova e dependemos da velocidade de disseminação do vírus e dos progressos na área da Medicina na busca por um tratamento eficaz. Não existe uma previsão de vacina testada e aprovada pelo próximo 1 ano ou 1 ano e meio, mas os pesquisadores estão trabalhando incessantemente na busca de uma medicação que seja eficaz para o controle da doença. Temos que dar tempo para que a ciência procure as soluções enquanto fazemos a nossa parte.

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Dra. Cristiana Meirelles

Infectologista Pediátrica e Coordenadora Médica da Beep Saúde


Amamentação: dúvidas frequentes

Amamentação: esclareça dúvidas mais frequentes

Mães e futuras mães, vamos falar sobre amamentação? Também chamado de aleitamento materno, sabemos como esse tema gera dúvidas e muita apreensão, principalmente às mães de primeira viagem. 

Conversamos com a Dra. Paula Lustosa, Pediatra e Especialista em Amamentação, que participou de uma Live muito bacana no nosso perfil. Achamos muito esclarecedora sua forma de explicar o assunto. Resolvemos, então, convidá-la novamente, mas agora para uma matéria aqui no nosso Blog. Assim, você tem um material bacana para consultar sempre que tiver necessidade. 

Dra. Paula pauta sobre amamentação

A amamentação é um ponto tão relevante na maternidade que existe o Agosto Dourado - mês dedicado ao tema. Neste período, são realizadas divulgação e ações para incentivar e esclarecer mães e pais sobre os benefícios tanto para mãe quanto para o bebê. Muitos deles, inclusive, têm reflexos positivos até a vida adulta, reduzindo riscos de muitas doenças.

Enfim, já falamos demais, vamos deixar as palavras para quem tem propriedade no assunto.

Qual a importância da amamentação?

A amamentação fornece todos os nutrientes que o bebê precisa até os 6 meses de vida. A criança fica protegida de infecções e desnutrição, além de ter crescimento e desenvolvimento saudáveis.

Sua função nutritiva tem um grande aliado: o aleitamento materno fortalece o vínculo mãe-bebê. Podemos destacar outros benefícios como praticidade e efeitos sobre o corpo da mulher, por exemplo. 

O leite materno é um alimento completo, ou seja, o bebê não precisa de nenhum outro até completar 6 meses de vida, nem mesmo água. A recomendação do Ministério da Saúde é: aleitamento materno exclusivo até os 6 meses, continuando até os 2 anos de vida, pelo menos - quando já houve a introdução alimentar.

Como funciona a amamentação?

A amamentação acontece através do bom funcionamento da dupla mãe-bebê, não dependendo exclusivamente da produção de leite pela mãe. Desde o nascimento da criança,  a mulher já produz o colostro, que é suficiente para alimentar o bebê até a apojadura (descida do leite), que ocorre em torno do terceiro ao quinto dia após o parto. Porém, a produção do colostro e do leite materno dependem não só de fatores hormonais maternos, fatores ambientais e psicossociais, como também da pega, sucção, e estímulo do bebê.

Qual a importância da consulta de pediatria no pré-natal?

O pré-natal é o momento ideal para iniciar o vínculo da futura mamãe com o Pediatra, profissional que vai auxiliar e orientar em todo processo de amamentação, desde a primeira hora de vida do bebê na sala de parto. É um momento em que os pais estão mais abertos para receber informações e tirar dúvidas, já que ainda não têm as preocupações e todo cansaço que chega após o nascimento do bebê. Além disso, podem ser tiradas dúvidas sobre o próprio parto e procedimentos do hospital, vacinas, testes (pezinho, orelhinha, etc), assim como conversar sobre a importância da rede de apoio.

Qual o tempo ideal da amamentação?

Não existe um tempo determinado, o mais importante é observar a eficácia da mamada, ou seja, se o bebê está mamando de forma satisfatória, independentemente de quantos minutos tem a mamada. Além disso, a quantidade de urina e revisão de peso são bons parâmetros na primeira semana de vida, para sabermos se o processo está fluindo bem.

Quantas vezes o bebê pode mamar por dia?

O ideal é o bebê mamar em livre demanda, ou seja, não existe um número determinado de mamadas ao longo do dia. A capacidade do estômago do recém-nascido é pequena, e por isso ele deve mamar muitas vezes em pequenas quantidades. É importante lembrar que geralmente não devemos deixar o bebê sem mamar por um período maior do que 3 horas, mais ou menos, pois isso pode levar a prejuízo no ganho de peso, e outras complicações como hipoglicemia ou icterícia, nesse primeiro mês de vida.

Quem amamenta pode menstruar?

Geralmente, os hormônios produzidos na amamentação inibem a ovulação e, consequentemente, a menstruação, enquanto o bebê estiver em aleitamento exclusivo. Porém, algumas mulheres podem ovular e voltar a menstruar mesmo durante esse período. Lembrando que não é garantido que a ausência de menstruação funcione como método contraceptivo. O ideal é conversar com o Obstetra para avaliar as melhores opções para cada mulher.

Como conseguir a pega correta?

O bebê tem reflexos de busca e sucção desde o nascimento. A boca do bebê deve estar aberta, com os lábios evertidos, abocanhando a área da aréola e não só o mamilo, com a língua posicionada corretamente entre o lábio inferior e a aréola, e deve promover uma vedação adequada para que a sucção seja eficaz. Apesar do reflexo, não é um processo automático e fácil. Muitas vezes precisamos corrigir a pega para que não cause dor ou fissuras na mama. Se, mesmo após avaliação e orientação, a mamada não estiver fluindo bem, pode ser necessária uma melhor avaliação da boca do bebê por profissional capacitado em amamentação, pois ele vai identificar possíveis fatores de risco que estejam prejudicando a mamada (freio lingual ou labial, por exemplo, entre outros que podem ser corrigidos).

O que é amamentação em tandem?

É quando a mãe amamenta dois (ou mais) filhos em idades diferentes. Não há recomendação para que a mulher pare de amamentar um filho por ter uma nova gestação, a não ser que a mulher apresente sinais ou sintomas de risco para parto prematuro. Após o nascimento do filho mais novo, a mulher pode manter a amamentação dos dois, desde que priorize sempre o bebê mais novo, que depende exclusivamente do leite materno até os 6 meses de vida. Se o bebê mais novo está apresentando bom crescimento e desenvolvimento, a mulher pode manter a amamentação em tandem enquanto desejar.

Amamentação: dúvidas frequentes

O que é reflexo de ejeção?

O fluxo de leite materno durante a mamada do bebê acontece por reflexos, e não de forma contínua, e isso pode ser percebido pela mãe conforme a mudança na forma e ritmo da sucção do bebê. É importante informar às mães sobre esse mecanismo, pois vai ajudá-la a identificar as mamadas eficazes e o momento de oferecer a outra mama, por exemplo, ou até observar o tempo de mamada.

Amamentação x CLT. Qual o direito de amamentação?

Toda mulher tem direito a 120 dias de licença maternidade. Algumas empresas do programa empresa cidadã fornecem mais 60 dias, chegando ao total de 6 meses de licença. Além disso, a mulher tem direito à licença amamentação, que pode incluir 2 períodos de 30 minutos por dia durante a jornada de trabalho, até o bebê completar 6 meses de vida, ou mais 15 dias corridos após o fim da licença maternidade, dependendo da empresa empregadora.

Amamentação: dúvidas frequentes

Como funciona o atestado de amamentação? A qual médico recorrer?

Qualquer médico, mas geralmente o Pediatra que acompanha o bebê pode fornecer atestado de que a mulher está amamentando e, assim, ela pode solicitar a licença amamentação junto ao RH da empresa.

Vamos nos despedindo com uma mensagem verdadeira e muito objetiva da Dra. Paula para todas as mulheres, mães ou futuras mães: “Toda mulher é capaz de amamentar o seu bebê, a principal ferramenta para isso é a informação!”. Portanto, mãe, não deixe de se informar, não deixe de fazer a consulta pré-natal com a Pediatra escolhida para acompanhar o seu bebê. Este é o primeiro passo para que a sua experiência seja maravilhosa.

Quer acompanhar os posts da Dra. Paula? Siga os perfis @paula.pediatra e @pediatriaintegrada - ela está sempre publicando ótimas informações sobre pediatria. 


Autismo - precisamos falar sobre isso!

Precisamos falar sobre o autismo! A melhor forma de adquirirmos mais conhecimento sobre o tema e, consequentemente, construirmos uma sociedade mais consciente e acolhedora, é ouvindo relatos de mães com filhos que possuem TEA (Transtorno do Espectro Autista).

Convidamos Camilla Viveiros e Andreia Pereira para compartilharem suas histórias no nosso Blog - ambas foram muito generosas abrindo seus sentimentos, vivências e aprendizados.

Autismo - Pedro vestindo camisa com mensagem

Nossas convidadas 

Elas são mães engajadas! Camilla é carioca e tem dois filhos, Bia e Pedro. O caçula, Pedro, tem autismo. Atualmente vive na Cidade do México e vem ao Brasil todo ano para visitar familiares. Andreia é carioca, de Belford Roxo, e tem duas filhas atípicas, uma de 11 e outra de 9 anos. Duas histórias distintas, mas com um propósito em comum: fazer o que estiver ao alcance para tornar o mundo um lugar melhor para pessoas com autismo - o que, automaticamente, fará do mundo um lugar melhor para todos. 

Nosso objetivo com essa matéria, além de confortar e orientar mães que porventura estejam vivendo o início do processo de descoberta do diagnóstico, é, principalmente, conscientizar mães de crianças típicas. Está na educação a chance de, futuramente, termos pessoas livres de preconceitos e, portanto, capazes de construir a sociedade que tanto almejamos - mais igualitária, justa e inclusiva

Autismo - Família da Andreia

O diagnóstico - meu filho tem autismo

Camilla

A sensação de receber o diagnóstico do autismo deu um frio na espinha. Já havia uma desconfiança de que algo estava errado com o desenvolvimento dele, mas, ao mesmo tempo, tinha aquela ingênua sensação de que “essas coisas só acontecem com os outros”. Entender que eu era vulnerável e, portanto, sujeita a esse tipo de coisa, doeu demais.

Após o diagnóstico, passei um período muito difícil de negação. Achava que os médicos estavam enganados, que em algum momento o diagnóstico seria contestado e que tudo aquilo ficaria no passado.

Aceitação 

Alcançar a aceitação, entender quem era o meu filho e respeitá-lo da forma como ele realmente é – sobreviver a tudo isso - foi libertador. Ficou clara para mim a ideia de que é injusto idealizar um filho “perfeito” ou que atenda às nossas expectativas. Aquilo tudo estava sim acontecendo comigo e era necessário encarar com firmeza.

Hoje o vejo perfeito. Ele é parte da diversidade humana e, no final das contas, somos todos diversos.

Autismo - Pedro com Camilla

Andreia 

Me tornei mãe aos 38 anos. Meu obstetra e ginecologista alertou para os riscos de uma gravidez tardia. Citou a alta probabilidade de gerar uma criança com Síndrome de Down, mas o meu desejo de ser mãe falou mais alto! 

Mariana nasceu saudável. Começou a andar com 11 meses, mas completou um aninho sem falar nada. A pediatra dela explicou que ainda estava em tempo porque algumas crianças podem demorar um pouco mais para falar. Porém, no meu íntimo, já sabia que ela era diferente. Mesmo assim, eu e meu marido queríamos muito ter mais um bebê e, então, fechar as portas da fábrica.

Segunda Gravidez

Engravidei pela segunda vez. Conforme a gravidez da Manuela transcorria, íamos cuidando da Mariana e preparando-a para a chegada da irmãzinha. Nesse período, percebemos que Mariana não fixava o olhar nos nossos olhos. 

Manuela nasceu exatos dois anos após a irmã. Ela chegou igualmente saudável, eram parecidas demais. Depois que a pediatra me viu dando à luz à segunda filha, lutando para cuidar de ambas da melhor forma possível, e de acordo com os nossos relatos sobre os movimentos estereotipados, nos encaminhou a uma profissional - fonoaudióloga e especializada em TEA (Mônica Accioly) - e fizemos a avaliação da Mariana. O diagnóstico de TEA foi dado quando Mariana completou 3 anos. 

Agora, foi muito triste quando percebemos os movimentos estereotipados, já aos nove meses, na nossa segunda filha, Manuela. Aí sim, experimentei um luto devastador. Acredito que me apoiava muito na ideia de que uma irmãzinha muito inteligente e típica ajudaria a Mariana. Eu pensava: "E agora, meu Deus, duas meninas com autismo? O que será de ambas quando não estivermos mais aqui? Será que elas irão conquistar uma vida autônoma? Será que pecamos para ter duas filhas com a mesma condição? Por quê?"

O diagnóstico de Manuela foi apresentado, formalmente, aos 2 anos e 8 meses, em 2013. Porém, Manuela era bem diferente da irmã: sorria mais e interagia melhor com outras crianças. 

O que te fez desconfiar que algo estava diferente no desenvolvimento da criança?

Camilla

Ele não atingia determinados marcos de desenvolvimento esperados para a idade como, por exemplo, o apontar. Uma criança de 11 meses a 1 ano aponta o que ela quer, aponta o que desperta seu interesse como forma de mostrar para alguém algo que achou interessante. É uma forma preliminar e importantíssima de comunicação que não deve ser ignorada ou tratada como um mero detalhe. 

Ele também não atendia quando eu o chamava. Cheguei a achar que ele tinha deficiência auditiva e o levei para fazer exames. Se a criança escuta perfeitamente, mas não responde quando é chamada pelo nome, isso também é uma característica do autismo.

Ele não batia palmas e, quando estava no berço, não estendia os braços pedindo colo quando eu ou meu marido nos aproximávamos. 

São sutilezas, mas que devem ser observadas com cuidado pelos pediatras e pelas famílias. E é importante que as famílias não se apoiem no conceito de que “cada criança tem seu tempo”. É verdade que cada criança tem seu tempo, mas existe um limite aceitável dentro desse tempo. Atingir esses marcos dentro do lapso de tempo esperado é importante para comprovar que está tudo bem com o desenvolvimento neurológico e cognitivo da criança. Qualquer coisa que fuja desse padrão deve ser observada, ainda que a criança não apresente todos esses atrasos. Um deles já pode ser suficiente para ligar o alerta e observar.

Andreia

No caso da Mariana, que hoje tem 11 anos, percebi por volta dos 5 meses. Ela não aceitava colocar a sua mão em volta do pescoço de quem a segurava no colo. Não gostava de receber carinho por parte da minha tia e primas, que sempre estiveram presentes na nossa vida. 

Graças a Deus, com o trabalho realizado por profissionais que se dedicam ao autismo, na escola e no Capsi, hoje ela gosta muito de ser abraçada e de abraçar também.

Tenho a experiência de ter acompanhado o desenvolvimento dos meus primos, que são típicos. Eles sempre aceitavam ser tocados, amavam ficar no colo dos familiares. Mariana só passou a aceitar carinho dos familiares após as terapias.

No caso da Manuela, que hoje tem 9 anos, percebi quando ela estava com 9 meses. Na verdade, meu pai,me chamou a atenção para o fato de Manuela se colocar na posição de gatinho e ficar se balançando para frente e para trás, fazendo um som com a boca, tipo: ram, ram, ram, ram.

Infelizmente, meu pai faleceu em 2012, sem nunca ouvir as netas o chamarem de vovô.

Hoje, elas assistem vídeos familiares que fizemos na época e elas reconhecem o vovô e repetem muitas vezes: vovô.

O autismo dificulta a aprendizagem. As meninas estão avançando na aprendizagem, porém muito lentamente! Eu tive que me readaptar a esse ritmo lento. Mãe de autista tem que estar pronta para repetir o mesmo ensinamento sempre. É exaustivo, por isso digo que só vencemos as limitações do autismo com muita paciência e amor!

Autismo - Andreia e as filhas atípicas

Você já era familiarizada com o tema Autismo?

Camilla

Não era familiarizada, o que me gerou ainda mais medo. O desconhecido amedronta e só te leva a cair nos estereótipos, ideias pré-concebidas e ultrapassadas que não ajudam em nada. 

Primeiro, busquei informação com médicos de minha confiança e, depois, com grupos de apoio de familiares de autistas. Hoje em dia, com a internet, fazer essa conexão é mais fácil. E isso me ajudou muito. 

Faço terapia praticamente desde o diagnóstico, o que me ajuda a desafogar. Recentemente, passei a escrever o que me vem à cabeça em uma página que mantenho no Instagram só dedicada a isso. Isso me ajudou a colocar em palavras meus sentimentos. 

E, claro, a base de tudo é o apoio que recebi e recebo da família que sempre o amou independentemente de qualquer coisa. 

Andreia 

Conheci o autismo por meio do filme que mostra o nascimento de Raun Kaufman. O momento em que seus pais recebem o diagnóstico e a desilusão com a falta de preparo dos profissionais na época e com terapias nada eficazes, chegando a apresentar tortura. Assim como mostrado no filme, acredito que a melhor pedagogia é o amor. Uma família que ama sua criança autista vai se esforçar para fazer o melhor por ela. É o que a nossa família se esforça para fazer. Tenho dois escudeiros fiéis: meu marido e minha mãe. Eles estão sempre prontos para ajudar na orientação das meninas. Continuo me esforçando para compreender como as meninas pensam. O cérebro autista é fascinante e intrigante.

Como passou a enxergar a sociedade após conviver com uma pessoa com autismo? 

Camilla

Sinceramente, enxerguei uma sociedade despreparada, egoísta e apressada, buscando resultados imediatos e extremamente impaciente com o que foge do padrão.

Senti na pele o quanto a sociedade está muito pouco informada sobre o autismo e o quanto era complicado quase suplicar por compreensão e empatia, principalmente porque o autismo não tem uma característica física específica. Sem informação, a sociedade nunca entenderá o porquê do seu filho estar dando um escândalo ou se comportando de maneira inapropriada. 

Em algum momento me senti muito culpada por não ter tido, até então, um olhar cuidadoso sobre pessoas com deficiência e busquei tentar ter empatia com essas famílias: autismo, Síndrome de Down, paralisia cerebral, entre outros.

Ainda falta muita conscientização. Por isso, sempre que posso, uso as redes sociais e conversas com amigos para passar as informações e explicar minhas maiores dificuldades para, quem sabe, termos um ambiente mais adaptado para todos. É o que eu posso fazer como mãe e como cidadã.

Andreia 

Vejo que existe uma preocupação muito grande com coisas supérfluas. O autista é tão simples e sincero, que algumas inquietações com relação a bens e consumo não importam mais para mim. Vejo minhas amigas com filhos típicos preocupadíssimas com os estudos das crianças. Vejo crianças com agenda cheia de compromissos a semana inteira: escola, cursos, atividades físicas, quartos abarrotados de brinquedos... Mas, de verdade, será que é isso o que elas querem? Será que elas não preferem viver de forma mais tranquila e simples, com a atenção de seus pais? A sociedade é muito consumista, quer ostentar em redes sociais, mas e o interior dos seus filhos? Muitas famílias aparentam felicidade plena, mas a realidade não é bem assim.

A sociedade ainda confunde as crises sensoriais que as nossas crianças atípicas podem apresentar em lugares públicos com pirraças! Outro dia, minha filha de nove anos, foi contrariada pela vovó no supermercado e gritou muito alto. Todos pararam para olhar, o que é natural, e o que eu fiz? Falei alto para todos ouvirem: calma gente, ela é autista! Foi imediato, todos retornaram aos seus afazeres. A aceitação tem que vir primeiramente da família. A conscientização da sociedade é uma missão para as famílias de autistas. Temos que preparar nossos filhos para esse mundo cruel e apresentá-los à sociedade, mas temos também que ajudar as pessoas a compreenderem o autismo. Não dá para esconder um autista em casa. Quem quiser conhecer um autista, vai descobrir que eles têm raciocínio e sentimentos. Nem todo autista possui retardo mental, mas sim dificuldades de aprendizagem.

Como é a relação de duas irmãs com autismo?

Andreia 

A minha preocupação inicial de ter duas meninas autistas está, a cada dia que passa, tornando-se menos ameaçadora. Observo muito o comportamento delas, que apresentam autismos bem diferentes. Elas costumam ficar em quartos separados para assistirem seus vídeos preferidos, mas têm momentos em que resolvem brincar juntas, assistir ao mesmo vídeo, desenhar e pintar compartilhando as canetinhas e a mesa. Amo esses momentos e, graças a Deus, têm acontecido diariamente. Elas dormem no mesmo quarto com a minha mãe, que possui 70 anos. Cada uma na sua cama. Elas não conseguem dormir sem um de nós por perto. 

Agora, brigam também, como qualquer relacionamento entre irmãos, porém é incrível, não se agridem fisicamente.

 

As pessoas estão mais conscientes em relação ao autismo?

Camilla

Vejo uma tímida tentativa de conscientização, mas ainda temos um longo caminho a percorrer.

Temos leis recentes de inclusão que tipificam o autismo como deficiência. Isso permite, por exemplo, atendimento preferencial nas filas, o que antes só era permitido para as deficiências mais “conhecidas”. Mas todo esse movimento de pleitear leis e direitos partiram das famílias de autistas. 

Não temos políticas públicas de qualidade para apoio de famílias de autistas. O custo do tratamento terapêutico, na rede particular, é elevadíssimo, e os planos de saúde não reembolsam as terapias na sua totalidade, cabendo às famílias entrar com ações para conseguir o reembolso devido. 

O tratamento pelo SUS também é precário, além de demorar meses até que a família consiga ser direcionada para um tratamento. Isso tudo prejudica a evolução da criança, pois o ideal é a intervenção mais precoce possível. 

A sociedade, de uma forma geral, ainda está engatinhando para uma conscientização plena. Falta muita informação e a consequência disso é justamente a falta de políticas públicas de qualidade; de governantes que apoiem a causa; de uma sociedade realmente engajada em mudar esse cenário. É humanamente impossível que as famílias de autistas enfrentem tudo isso sozinhas. 

Andreia

De uns anos para cá, as pessoas começaram a, pelo menos, saber que o autismo existe. Marcos Mion, com seu filho Romeo, é um expoente na causa do autismo e representa muito bem as famílias azuis. Quando as celebridades falam abertamente sobre a sua vida diária com seus autistas, ajudam toda a comunidade. Levam as nossas necessidades ao conhecimento das autoridades. Imagine só: o presidente jamais receberia no palácio, uma mãe como eu, moradora de Belford Roxo. Mas ele recebeu o Mion e aceitou, em 2019, modificar o Censo para incluir informações necessárias sobre os autistas. Toda a comunidade autista estava ansiosa por isso. As pessoas precisam saber que o autismo não escolhe classe social. Espero que mais e mais pessoas revelem que convivem com autistas, levem seus filhos para os locais públicos. 

Já passei por situações dificílimas com minhas filhas em locais públicos, mas sempre encontrei pelo menos uma pessoa disposta a me ajudar. Acho que estamos no caminho certo para uma maior conscientização.

Como é a relação da escola com uma criança com autismo?

Camilla

Eu costumo dizer que os pais de autistas não escolhem a escola, mas é a escola que escolhe nossos filhos. Pouquíssimas escolas estão dispostas a aceitar, porque a inclusão exige uma série de adaptações curriculares que nem todas estão dispostas a enfrentar. 

Atualmente, moramos na Cidade do México e meu filho estuda em uma escola que o aceitou e aceita minhas demandas, mas diria que ainda assim a inclusão é falha. Falta muito preparo do corpo docente em geral. Não existe, nem na faculdade de pedagogia e nem na de psicologia, uma matéria dentro da grade curricular regular sobre autismo. 

O que eu fiz foi contratar uma terapeuta com boa formação que treinou o corpo docente que trabalha com meu filho. Mas é um trabalho exaustivo e que não deveria caber às famílias, até porque poucas podem arcar com isso.

Andreia

Em 2015, conseguimos matricular as meninas em uma escola pública da rede municipal de São João de Meriti que é referência em transtorno do espectro do autismo (TEA), mas que também oferece classes regulares para os três primeiros anos da educação fundamental. Minhas filhas continuam estudando lá. Nesse período de distanciamento social, a equipe pedagógica tem fornecido atividades diárias para tentarmos realizar em casa. Eles estão nos orientando por meio de grupos no Facebook e WhatsApp. A equipe realiza um trabalho que envolve muito a família. A criança fica no máximo três horas na escola, as demais 21 horas são de responsabilidade da família. Então, não há dúvida da importância de uma família unida e esforçada. Educar crianças com autismo é um desafio constante.

Em 2017 busquei também ajuda no CAPSi (Centro de Atendimento Psicossocial Infantil), que pertence ao SUS, e possui uma equipe multidisciplinar (psicopedagogos, terapeutas ocupacionais, psicólogos, musicoterapeutas, fonoaudiólogos e psiquiatras). O CAPSi tem fornecido, além do atendimento semanal de uma hora de atividades em grupo para as crianças, apoio e orientação para a família, principalmente sobre os direitos dos autistas.

Gosto muito de ler os textos escritos pelos autistas já adultos, que conseguem descrever o autismo da maneira verdadeira, pois quando o autista consegue verbalizar o que sente, nós passamos a entendê-los melhor! Entre esses autistas, destaco Temple Grandim e Carly Fleischmann.

Qual a sua mensagem para mães que acabaram de receber diagnóstico do filho

Camilla

Primeiro de tudo, calma. Encontre um médico de sua confiança para te ajudar a orquestrar o corpo terapêutico que vai cuidar do seu filho. Dê tempo ao tempo. O processo de evolução é lento e a sua ansiedade não vai ajudar nesse momento.

Cuide da sua saúde mental e física. Se não tiver condições financeiras, tire meia hora do seu dia para uma caminhada, converse com pessoas com as quais você se sinta confortável para desabafar sem filtro, sem precisar medir palavras. Não julgue seus sentimentos e preconceitos. Você também está passando por um processo de transformação e deve respeitar seu momento. 

Não é fácil, eu sei disso. Mas, entenda, você não está sozinha. 

Quanto ao tratamento, você será apresentada a um leque de opções, nem todas elas sérias. Muitos charlatões disfarçados de profissionais tentarão te vender milagres. Por favor, desconfie sempre que te apresentarem soluções fáceis e procure apoio no médico que você confie. E, sempre, siga seu coração.  

Andreia

O diagnóstico de autismo não é uma sentença de morte. Vivam o período de luto, mas tenham certeza que essa criança tem muito a lhes ensinar. Desconstrua todas as suas expectativas e viva cada dia dessa nova jornada. Os autistas aprendem, porém temos que estar dispostos a repetir quantas vezes forem necessárias. Confiem em Deus. Se for uma família de ateus, acredito que agora, vocês serão apresentados a Ele por seus filhos. Minhas filhas me aproximaram mais de Deus.

Qual a sua mensagem para mães de crianças típicas 

Camilla

Sempre que me perguntam como abordar o assunto autismo com uma criança típica eu digo para serem sinceras, buscar não esconder nada da criança e dar toda a informação possível dentro do limite de capacidade de compreensão e de acordo com a idade da criança. A informação é sempre o melhor caminho. Nunca esconder, nunca desviar o olhar.

Explicar que o amigo é diferente e que tem algumas dificuldades, mas que ele é capaz de brincar do jeito dele e incentivar, na medida do possível, que seu filho se aproxime do amigo. Mostrar que ser diferente é normal. 

Em relação às mães de crianças típicas, quando perceberem que existe alguma criança com deficiência no ambiente do filho típico, tente se aproximar da mãe ou cuidador da criança para entender do que ela gosta de brincar, de como seu filho pode interagir com a criança atípica, se seria legal marcar uma tarde de brincadeiras em casa, coisas do gênero. Atitudes como essas acolhem, incluem... 

Acredito fortemente que o convívio desde pequeno com crianças diversas só tem a acrescentar para as crianças típicas. Elas aprendem desde cedo noções de respeito, empatia, generosidade e, principalmente, o amor altruísta: que ama por amar, sem esperar nada em troca. Numa sociedade cada vez mais egoísta, esses seriam grandes valores para ensinarmos àqueles que serão a sociedade do futuro. Uma vez ouvi que, para mudar a sociedade e tornar o mundo melhor, devemos educar nossos filhos, e não poderia ser mais verdade.

Autismo - Pedro com a irmã Bia

Andreia

Não tenham medo de crianças que apresentam qualquer tipo de diversidade. Permitam que seus filhos convivam com as pessoas sem discriminá-las. As crianças nascem boas, e dependem da orientação dos pais para fazerem o bem a todos. Conviver com diferenças é um grande aprendizado. Infelizmente, no caso de autistas e deficientes mentais, o preconceito que vivenciamos é elevado ao quadrado. Já tentaram se colocar no lugar de uma mãe atípica? Cabe a cada família querer fazer o bem a toda humanidade.

Considerações finais 

Se você gostou da matéria e quer saber mais sobre o tema, ou até mesmo acompanhar o desenvolvimento dessas duas mães incríveis e seus filhos, então siga os perfis delas. Para seguir a camila, clique aqui. Para seguir a Andreia, clique aqui. Ah, não esqueça de compartilhar esse texto com aqueles que você acredita que vão gostar de ler mais sobre o autismo.

 


Inclusão Social - Projeto Paratodos

Inclusão Social - um tema "Paratodos"

A inclusão é um tema que deve ser debatido por todos nós. Nos familiarizarmos com o assunto é o único caminho para mudarmos hábitos que muitas vezes nem percebemos, mas são exclusivos. Se desejamos construir uma sociedade aberta à diversidade e igualmente acessível para todos, precisamos fazer a nossa parte.

Pensando em levar esse movimento ate você, conversamos com a Ciça Melo, uma das fundadoras do Paratodos - projeto incrível que, se você ainda não conhece, então essa é uma ótima oportunidade!

Cultura da Inclusão - Três mães, um projeto 

Ciça Melo, Carla Codeço e Fabiana Ribeiro tinham algo em comum: além dos filhos frequentarem a mesma escola, as três tinham crianças com deficiência. E, assim, esse comum tornou-se algo muito maior: a vontade de aperfeiçoar e difundir a cultura da inclusão baseadas nas dificuldades de inclusão dos seus filhos, nascendo o Paratodos.

Nova integrante

Em maio de 2017, Flávia Parente, mãe de uma criança típica, passou a integrar o movimento, ampliando e enriquecendo o universo do projeto. Além disso, provando que ele já estava além do gueto, impactando uma mãe sem filhos com deficiência, mas com a empatia e engajamento baseados no valor moral da causa.

Inclusão Social - Projeto Paratodos

Obstáculos da inclusão 

Eles estavam, muitas vezes, ligados à falta de uma cultura inclusiva nas escolas, contudo, era preciso alfabetizar o olhar da comunidade - escola, professores, funcionários, famílias - para que a inclusão fosse abraçada por todos, e não apenas por professores de uma determinada turma dos mediadores.

Estava formado o Paratodos, com a missão de falar para todos, e não para alguns, a importância de construir uma cultura inclusiva, envolvendo toda a sociedade no respeito à diversidade, às diferenças. Sensibilizar o maior número de pessoas sobre o universo da deficiência e levar para o cotidiano de todos tornou-se combustível diário deste importante movimento - que atua, em especial, no âmbito escolar, quando estão em formação as gerações futuras capazes de transformar o mundo.

Como o Paratodos atua na sociedade?

São 4 frentes que vamos destacar abaixo:

Falam

O Paratodos promove eventos de inclusão como rodas de conversa, grupos de estudos, palestras e exibição de filmes. Encontros com famílias, visita às escolas, participação de seminários sobre educação e inclusão também fazem parte do projeto. O Paratodos também presta consultoria para empresas, escolas e famílias. Portanto, é um trabalho de muita interação com todos os envolvidos.

Inclusão Social - Projeto Paratodos

Escrevem

O projeto acredita que toda criança é capaz de aprender, desde que tenha metas específicas e adaptações necessárias. E, assim, os textos do projeto refletem esta postura e convidam a sociedade a refletir sobre a inclusão em todos os seus aspectos.

Formam

Tendo em vista a necessidade de melhor formação de profissionais que trabalham com pessoas com deficiência e promovam sua verdadeira inclusão na sociedade, o Paratodos desenvolveu um programa de formação que aborda a questão da deficiência e o processo de inclusão.

Premiam

A cada dois anos, o Paratodos premia iniciativas escolares inclusivas promovidas por professores de instituições de ensino regular de todo o país.

Assim, o Paratodos pretende dar visibilidade às experiências bem-sucedidas de inclusão escolar, divulgar estas boas práticas e inspirar outros educadores a não deixar nenhuma criança para trás. 

Ações já realizadas que merecem destaque

Ao longo desses 7 anos, o Paratodos já atingiu cerca de 50 instituições, públicas e privadas, de ensinos e ONGs. Eleva, Espaço Movimento, Saúde Criança e Facha são algumas delas.

O site já teve mais de 250 mil acessos, além de um texto que já alcançou 140 mil views. São aproximadamente 200 artigos escritos com um total de 230 mil visitantes. O site possui apenas versão em português, porém conta com visitações de pessoas em Portugal, EUA e França, entre outros países. 

Parcerias e cursos

Muitas parcerias foram estabelecidas neste período até aqui. Como, por exemplo com o MPRJ (Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro), com quem trabalharam no projeto MP Inclusivo, voltado para a contratação de estagiários com deficiência. 

Organizaram e participaram de diversos eventos com a PUC, do Rio de Janeiro, onde realizaram aulas, workshops, mostras e grupos de estudos. Ainda na PUC, lançaram o curso de Pós-graduação em Inclusão da pessoa com deficiência, no entanto, ele foi adiado para 2021 em função da pandemia causada pelo Covid-19.

Paratodos no exterior

Este ano ainda houve a ampliação dos horizontes do movimento, que teve sua primeira experiência internacional. Junto com o Vindas - Educação Internacional, organizaram uma imersão no universo da educação inclusiva em Portugal. Visitaram escolas, conheceram projetos, discutiram trabalhos, tiraram dúvidas, investigaram e mostraram um pouco do que estão fazendo no Brasil - uma rica troca de experiência para as duas partes. E, assim, o projeto vai ganhando força também do exterior. 

Inclusão Social - Projeto Paratodos

Qual o maior obstáculo para uma inclusão social ideal no Brasil?

Tecnicamente, deficiência só existe na medida em que há barreiras. Sendo assim, a partir do momento em que elas não existirem, todas as pessoas terão as mesmas oportunidades de serem e existirem no mundo.

“Dentre as barreiras existentes (tecnológicas, urbanísticas, atitudinal, nos transportes, nas comunicações e na informação), a mais difícil de transpor é a atitudinal, porque ela revela preconceitos. Quebrar o paradigma de que a pessoa com deficiência é incapaz, tem menos valor e não consegue fazer as coisas é algo complexo e somente vai acontecer na medida em que se constrói uma cultura inclusiva. Para que seja efetiva e consistente, essa construção só será eficaz a partir da sensibilização das pessoas em relação ao tema.”, explica Ciça.

A maioria já encara a deficiência de forma mais consciente?

“Sim, a questão da deficiência tem tido mais visibilidade ao longo dos anos. Muita gente, inclusive, comenta que há mais pessoas com deficiência atualmente. Na verdade, o que há mais é diagnóstico, além de maior quantidade de pessoas com deficiência nas ruas. Antigamente, as pessoas com deficiência eram excluídas da vida em comunidade. Hoje, elas estão em todos os lugares: nas escolas, no ambiente de trabalho, praticando esportes, nas passarelas de moda, novelas, cargos políticos. No entanto, ainda há muito o que trabalhar para que haja uma visibilida garantidos, sem que sejam necessárias medidas judiciais.”, conta Ciça.

Paratodos em tempos de isolamento social

O projeto vem participando de várias Lives sobre educação em geral e algumas, especificamente, sobre inclusão com participação de Ciça Melo e Flávia Parente. Participaram, ainda, de algumas reuniões promovidas pela Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro, em que foram discutidas questões relacionadas.

Sendo assim, o projeto continua ativo ao longo do isolamento social. Para ficar por dentro das publicações e futuras participações do projeto em Lives, siga o perfil no Instagram: @paratodos.net.br.

Direitos das pessoas com deficiência 

A inclusão da pessoa com deficiência é um direito garantido constitucionalmente. Seus direitos estão assegurados tanto em convenções internacionais - que se baseiam em princípios da Declaração Universal dos Direitos Humanos - quanto na legislação brasileira. 

A Constituição Federal Brasileira reconhece os direitos humanos estabelecidos pelo direito internacional, assim como assegura tratamento igual a todos os brasileiros. 

É inconcebível qualquer forma de preconceito. Num dos pilares da defesa dos direitos está a Educação. O artigo 208, que trata da Educação Básica obrigatória e gratuita dos 4 aos 17 anos de idade, afirma ser dever do Estado garantir “atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino”.

Artigos e Leis 

No artigo 205, a Constituição reconhece a Educação como um direito de todos, “garantindo o pleno desenvolvimento da pessoa, o exercício da cidadania e a qualificação para o trabalho”. No artigo 206, o documento garante a “igualdade de condições de acesso e permanência na escola”. A Política Nacional de Educação na perspectiva da Educação Inclusiva, criado pelo Ministério da Educação (MEC) em 2008, já apontava que as crianças e jovens com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação têm direito a frequentar a sala de aula regular e, quando necessário, receber atendimento educacional especializado no período inverso ao da escolarização regular. 

Em julho de 2015, o Brasil aprova a Lei Brasileira de Inclusão (LBI), também chamada de Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/2015). A LBI confere maior amparo legal para que a pessoa com deficiência possa participar da vida civil em condições de igualdade com os demais.

Inclusão Social - Projeto Paratodos

Mensagem da Ciça para os leitores 

“Inclusão é boa para todo mundo.

Um estudo recente, de coautoria e conduzido por pesquisadores da Universidade do Kansas, descobriu que estudantes que frequentam escolas inclusivas - isto é, escolas nas quais estudantes com e sem deficiência aprendem juntos - reconhecem o valor da inclusão e de serem parte de uma comunidade de aprendizado inclusiva. As entrevistas mostraram que estudantes com e sem deficiência se identificam, têm um sentimento de pertencer às suas escolas, reconhecem o efeito que a inclusão tem em todos os alunos e se mostraram bem cientes das práticas usadas pelas escolas inclusivas, tanto na sala de aula quanto na escola. Os jovens descreveram que tiveram apoio para alcançar essas expectativas e que estavam conectados a seus professores e colegas. O fato dos alunos aprenderem juntos ficou evidente.”, encerra Ciça. 

E aí? Que tal acompanhar esse movimento?

Com aspas da Ciça encerramos essa leitura conscientes de que a cultura inclusiva traz benefícios para a sociedade como um todo. E, portanto, o quanto é importante nos familiarizarmos mais com este tema, mesmo não tendo parentes ou amigos próximos com deficiências. Por isso, nós, da Beep Saúde, convidamos você para fazer mais desse universo. Acompanhar o perfil do Paratodos, suas ações e informações já é um importante passo!