Imagem da chapa do pulmão para diagnóstico de tuberculose

Tuberculose: transmissão, sintomas, prevenção

Saiba tudo sobre uma das doenças que mais causa mortes no mundo, principalmente nos países em desenvolvimento. Infecciosa e transmissível, a tuberculose é uma doença que afeta sobretudo os pulmões, mas pode acometer também outros órgãos e/ou sistemas. 

No Brasil, a tuberculose é um sério problema de saúde pública diretamente ligado às questões sociais que o país enfrenta. O cenário é ainda mais complexo com a existência da epidemia do HIV e a presença de bacilos resistentes.  

Aquele resumão do que você vai ver por aqui:

  • O que causa a tuberculose?
  • Quais são os sintomas?
  • Como saber se a pessoa está com tuberculose?
  • De que forma se dá a transmissão da tuberculose?
  • Quais são os tipos de tuberculose? 
  • Como se faz o diagnóstico da tuberculose? 
  • Como se  trata a tuberculose?
  • Existe prevenção? 
  • Quais são as populações vulneráveis?
  • Há determinantes sociais da doença?

O que causa a tuberculose?

A doença é transmitida pelo Mycobacterium tuberculosis, mais conhecido como bacilo de Koch.

Estima-se que mais ou menos 30% da população mundial esteja infectada, mas isso não significa que todas essas pessoas desenvolverão a doença.

Os indivíduos convivem com o bacilo, pois não conseguem eliminá-lo ou destruí-lo. Uma vez reativado o foco, passam a ser infectantes.

A doença evolui quando o bacilo não é bloqueado e se divide, rompendo a célula e provocando uma reação inflamatória intensa em vários tecidos a sua volta. O pulmão reage produzindo muco, surgindo, então, a tosse produtiva.

Quais são os sintomas? 

A tosse, na forma seca ou produtiva, é o sintoma mais característico da doença. Por isso, se a pessoa apresentar tosse por duas semanas ou mais, deve ser imediatamente investigada. Destacamos aqui outros sinais e sintomas:

  • Tosse por mais de duas semanas;
  • Produção de catarro;
  • Febre vespertina;
  • Sudorese noturna;
  • Cansaço/fadiga;
  • Dor no peito;
  • Falta de apetite;
  • Emagrecimento;
  • Escarro com sangue em casos mais graves.

Como saber se uma pessoa está com tuberculose?

Se a pessoa apresentar sinais e sintomas listados acima, associados ou isoladamente, deve ser encaminhada imediatamente  ao médico ou Posto de Saúde mais próximo. O tratamento é gratuito e deve ser iniciado logo após o diagnóstico. 

De que forma se dá a transmissão da doença?

A transmissão é aérea e ocorre a partir da inalação de partículas sólidas ou líquidas que se encontram suspensas no ar, meio gasoso (aerossóis). A transmissão pode se dar durante a fala, espirro ou tosse das pessoas com a tuberculose ativa que lançam no ar partículas que contêm bacilos.

Um indivíduo que tenha baciloscopia positiva (presença de bactérias da tuberculose no escarro) pode infectar, em média, de 10 a 15 pessoas durante um ano de convívio em uma comunidade.

Vale destacar que os bacilos que se fixam em roupas, lençóis, copos, entre outros objetos, dificilmente se dispersam em aerossóis, sendo assim, não têm papel importante na transmissão da tuberculose.

Quais são os tipos de tuberculose?

Além dos pulmões, a tuberculose pode afetar órgãos como rins, ossos, meninges, etc. Listamos alguns tipos:

  • Pleural (na película que reveste os pulmões);
  • Cutânea;
  • Cerebral;
  • Ganglionar (afeta os linfonodos/gânglios linfáticos);
  • Óssea;
  • Urinária.

Como se faz o diagnóstico?

O diagnóstico desta doença leva em consideração os sintomas, entretanto, a sua confirmação se dá pela radiografia do pulmão e análise do escarro . O teste de Mantoux, que consiste  na aplicação de tuberculina (extraída da própria bactéria) debaixo da pele, a broncoscopia e a biópsia pulmonar também podem ajudar na confirmação diagnóstica. 

Como se trata a tuberculose?

O tratamento é feito com a administração de antibióticos. No esquema básico, quatro medicamentos diferentes são utilizados no tratamento da tuberculose: pirazinamida, isoniazida, rifampicina e etambutol, nos dois primeiros meses. Nos 4 próximos meses, o paciente só toma isoniazida e rifampicina.

Esses remédios servem para impedir o crescimento do bacilo da tuberculose.

O tratamento tem a duração de seis meses, no mínimo. Ele é disponibilizado gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS) e deve ser realizado em regime de Tratamento Diretamente Observado (TDO) - ação de apoio e monitoramento do tratamento dos pacientes com tuberculose. Implica uma atuação comprometida e humanizada dos profissionais de saúde. Portanto, consulte um médico ou o posto de saúde mais próximo assim que perceber sinais da doença. 

É fundamental que o paciente tome as medicações regularmente pelo período recomendado para que não crie resistência bacteriana e torne a recuperação ainda mais difícil.

Existe prevenção?

A vacina BCG é a principal forma de prevenção da tuberculose nas suas formas graves (tuberculose miliar e meningite tuberculosa) em crianças, que recebem ao nascer, ou, no máximo, até os quatro anos, 11 meses e 29 dias. Ela está disponível nas redes pública e privada. Portanto, não deixe de vacinar o seu filho.

Outra forma de prevenção é a avaliação de contatos de pessoas com tuberculose, que permite identificar a Infecção Latente pelo Mycobacterium tuberculosis, possibilitando prevenir o desenvolvimento de tuberculose ativa.

Pessoas diagnosticadas com a infecção latente da tuberculose têm indicação de receber o tratamento para prevenir o adoecimento. Neste caso, é essencial procurar um médico ou uma unidade de saúde para avaliação. 

Além disso, uma medida simples de prevenção é manter ambientes bem ventilados e com entrada da luz do sol.

Quais são as populações vulneráveis?

Lembra que lá em cima citamos que esta doença está diretamente relacionada às questões sociais que o país apresenta? Aqui você vai entender melhor.

Muitas vezes, principalmente nos países em desenvolvimento, que é o caso do Brasil, o adoecimento por tuberculose está associado às condições precárias de vida. Mas, isso não quer dizer que pessoas de classes sociais mais altas não podem desenvolver a doença.

Alguns grupos específicos da população podem apresentar situações de maior vulnerabilidade. Listamos alguns aqui: 

  • Indígenas: risco de adoecimento por tuberculose 3 vezes maior;
  • Privados de liberdade: risco de adoecimento por tuberculose 28 vezes maior;
  • Pessoas que vivem com HIV/aids: risco de adoecimento por tuberculose 28 vezes maior;
  • Pessoas em situação de rua: risco de adoecimento por tuberculose 56 vezes maior*.

Fonte: SES/MS/SINAN, IBGE

*Fonte: TBWEB, SP, 2015 e Pessoa em Situação de Rua: Censo São Paulo, capital (FIPE, 2015).

Há determinantes sociais da doença?

Como você pode perceber, a tuberculose apresenta uma relação direta com a pobreza e exclusão social.

No caso dessa doença, especificamente, a ação de políticas públicas e a atuação da assistência social são imprescindíveis no sentido de unir esforços na construção de estratégias intersetoriais que busquem promover proteção social às pessoas adoecidas.  

Cabe aos serviços de saúde, ao identificarem pessoas desses grupos vulneráveis com sinais da doença, orientá-las a procurar os serviços da assistência social, principalmente o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), pois, lá, elas serão avaliadas e cadastradas para o acesso aos benefícios disponíveis.

Os programas sociais podem melhorar as condições de vida do indivíduo e contribuir para adesão ao tratamento da tuberculose. 

Que bom que chegou até aqui!

Viu quantas informações importantes uma única doença pode ter? Percebeu como a prevenção é o primeiro passo de uma vida saudável para você e sua família? Lembre-se sempre de que, surgindo alguns dos sintomas citados acima, a primeira medida a tomar é entrar em contato com o seu médico ou ir ao posto de saúde mais próximo.

Ah, e lembre-se de que você pode contar com a Beep!

 

Fontes:

Drauzio Varella

Saúde/Governo