Um dos assuntos muito debatidos em grupos de mães é: o uso de tela! O que significa a constante negociação entre pais e filhos com a permanência em celulares, Ipads, televisão e jogos eletrônicos.
Essa questão ganha ainda mais força e gera inúmeras dúvidas em tempos de quarentena, quando estamos todos confinados e a maioria das crianças se encontra privada de suas atividades ao ar livre. A este cenário, somam-se as atividades escolares, que sofreram enorme impacto com a nova versão de ensino à distância, que nada mais é do que assistir às aulas em casa por meio de uma… tela! Conversamos com Roberta Mellin para entender melhor o uso da tecnologia entre adultos e crianças em tempos de quarentena.

Quem é Roberta Mellin?
Jornalista, palestrante, tem mestrado em roteiro e é mãe – sendo esta última “função” sua principal motivação para se embrenhar no universo da tecnologia adquirindo conhecimentos sobre o tema e o seu reflexo nas relações. “Por falar em relações, desde que começou a pandemia do novo coronavírus – que coloca famílias e amigos em distanciamento – percebemos melhor o valor de um abraço, da troca de olhar e da energia acompanhados da linguagem corporal, que faz enorme diferença no contato entre as pessoas”, afirma Roberta. E aí, a tecnologia que até então separava as pessoas, está sendo a principal ferramenta de união, mas ao mesmo tempo mostra como o toque, tão peculiar ao contato físico, faz falta.O aumento do uso de tela na quarentena
Não à toa, o uso de tela tem crescido nesse período, tanto entre crianças quanto entre adultos – estudos mostram que nos EUA já houve um aumento de 50% do uso de tela entre crianças. Nós, adultos, também estamos recorrendo mais aos celulares, computadores, Ipads, TV, etc. Seja para ver amigos ou familiares, assistir a filmes ou séries, aprender novas receitas culinárias, assim como manter o trabalho em dia nas mil video calls diárias do modelo home office.Como a indústria favorece o alto uso de tela?
A indústria de games e entretenimento digital, no geral, lança novidades diariamente no mercado. A cada dia que passa, este mercado entende mais o funcionamento psicológico de todos nós, usuários, como nossos desejos podem ser manipulados e instigados e, portanto, de como elevar a nossa dopamina – o hormônio do prazer. E, agora, com o aval do mundo em quarentena, a maioria está usando a pandemia como desculpa, fechando os olhos para o indevido uso de tela.Como criar rotina do uso de tela saudável para as crianças?
Planejamento é a palavra de ordem. Para a Roberta, nada melhor do que combinar com os filhos uma rotina planejada que intercale as atividades manuais com o uso de tela saudável. Muitos pais estão trabalhando absurdamente neste período de isolamento social e mal têm tempo para nada, e isso é mais um motivo para elaborar essa rotina. Coloque em uso os jogos que reúnam a família: jogos de carta, tabuleiro, quebra-cabeça, memória e por aí vai! Brincar é se desenvolver. Está provado cientificamente. Crianças precisam brincar. Levar as crianças para a cozinha também é ótima pedida: elas costumam adorar fazer parte do processo de preparo de uma receita. Quando a noite cair, uma boa leitura é ótima para desacelerar e preparar para uma boa noite de sono. Use a criatividade, converse com as crianças e dê o exemplo.Dicas bacanas para o uso de tela
Roberta ressalta que “A tecnologia não é uma vilã” e, numa comparação com o álcool, ela afirma que o problema não é a bebida, mas sim o mau uso. Por isso, ela ressalta a importância dos pais estarem atentos, acompanhando os filhos nessa relação com o uso da tecnologia. Ela está aí para ser usada, mas de forma que construa, eduque e conecte. Roberta, por exemplo, sugere que os pais façam uma visita virtual a um museu, vídeochamada com parentes e amiguinhos da escola. Outra dica muito boa que ela deu é tentar engajar a família em algum movimento de solidariedade para ajudar pessoas que estão em dificuldade nesta pandemia – dando às crianças a noção de ajudar o próximo e usar a tecnologia também com este objetivo.
Aplicativos de controle parental
Eles são indispensáveis para que os pais acompanhem a navegação dos filhos de perto. Roberta destaca alguns muito bacanas como o Bosco, que avisa os aplicativos que foram baixados, se aparecerem imagens indevidas, conteúdo inapropriado, além do tempo de tela, que é programável. Quase todos os apps do tipo têm GPS (que não é necessário no momento pra maioria), controle do tempo e dos apps instalados. Roberta destaca: Fami Safe, Kidlogger, Our Pact, Screen Time, Securly, Google Family Link, entre outros.