Mente. Substantivo feminino que, segundo o dicionário, é definido como “parte incorpórea, inteligente ou sensível do ser humano; espírito, pensamento, entendimento; o desenvolvimento intelectual, a faculdade intelectiva; inteligência, mentalidade”.
De fato, a mente humana é um dos componentes mais intrigantes da ciência. É curioso pensarmos como ela pode nos influenciar, de diversas maneiras, em várias ocasiões de nossas vidas, e o poder que exerce na nossa rotina.
Em tempos de pandemia, realidade que vivemos desde o início de 2020 por conta do avanço da Covid-19, temas envolvendo a mente se tornaram recorrentes e vem ganhando cada vez mais destaque.
Pensando nisso, o #BeepExplica de setembro – mês dedicado à Campanha do Setembro Amarelo – vai te ajudar a compreender melhor a importância da saúde mental e explicar um pouco mais sobre os transtornos mentais, em diferentes fases da vida. Confira!

Mens sana in corpore sano: uma linha do tempo da saúde mental


Depressão é uma frescura!. Pode parecer indelicada, ou até irreal, mas essa frase reflete um pensamento que existe – e persiste – acerca não só da depressão, mas de tudo o que envolve a nossa saúde mental.
Afinal, somos criados dentro de uma “sociedade do espetáculo”, em que a perfeição é almejada e estimulada. A busca pela felicidade, seja ela real ou superficial, está intrínseca à nós desde os primórdios, bem como o êxito nas realizações pessoais, que vão do emprego dos sonhos, até a formação de uma família que atenda aos padrões impostos.
O que não é levado em consideração, entretanto, é que as condições para atingir esses objetivos, ao longo dos anos, foram – e são – conturbadas e perturbadas, sobretudo, por fatores externos como guerras, crises econômicas e sanitárias, fome e desemprego. O resultado disso são indivíduos vivendo sem perspectivas, mas convivendo com a tensão de escolher um caminho – que, por vezes, se torna doloroso.
Essa pressão desencadeia uma série de desordens emocionais que, historicamente, não são tratadas como algo genuíno, tal qual um braço quebrado, por exemplo. Antes do período conhecido como Antiguidade Clássica, as doenças da mente eram explicadas como uma “ação sobrenatural”.
Depois, com o surgimento do termo “loucura” e de toda a sua estereotipação, aqueles que sofriam com algum desses transtornos eram segregados e fortemente punidos. Na transição da Idade Média para a Idade Moderna, em especial, o radicalismo religioso fez com que os distúrbios mentais fossem vistos e entendidos como “possessões demoníacas” e tratados de forma extremamente rigorosa, com torturas cruéis e discriminação.
Entre os séculos XVII e XVIII, principalmente com a chegada de Philippe Pinel – considerado o pai da psiquiatria -, a saúde mental saiu do escopo mitológico para o âmbito científico e começou a ser devidamente estudada. Ainda que os conhecimentos fossem limitados, esses pacientes passaram a ser direcionados para locais específicos, e acolhidos de maneira mais humanitária.
Como “nem tudo são flores”, o caminho não foi tão simples assim. Logo surgiram novos braços dentro desse campo, que passaram a distorcer teorias de Pinel e retomaram ações radicais, mais aprimoradas: choques elétricos , choques térmicos, de forma não humanizada e até lobotomia.
Felizmente, o cenário atual é bem diferente! Os estudos sobre o tema avançaram muito, assim como a medicina, e tem-se dado cada vez mais importância para esse universo tão vasto.

Saúde mental verde e amarela: um panorama do Brasil


Engana-se quem pensa que as belezas naturais e a alegria das festividades brasileiras refletem a saúde mental da população. Nos últimos anos, os índices de transtornos relacionados à saúde mental  aumentaram muito no país: de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil se tornou o primeiro país latino-americano, e o segundo país do continente americano, com maior número de casos de depressão. Segundo dados da entidade, cerca de 5,8% dos brasileiros sofrem de depressão – aproximadamente  11,5 milhões de pessoas. Ela é uma importante causa de incapacidade em todo o mundo e contribui muito para a carga global de doenças.
Além disso, as informações apontam, também, uma situação alarmante nos quadros de transtorno de ansiedade (TA). Até 2018, 9,3% da população no país sofria com TA, sendo um percentual muito alto, quando comparado a outros  países do mundo.
De 2004 a 2013, o número de auxílios-doença designados para transtornos mentais e comportamentais no Brasil cresceu de 615 para 12.818, o que, em termos percentuais, significa um aumento de 1.964% para esse tipo de concessão, tanto acidentário quanto não acidentário.

Psiquiatria vs. Psicologia


Certamente você já se perguntou qual é a diferença entre a psicologia e a psiquiatria. É comum que essas profissões confundam nós, leigos, inclusive na hora de procurar ajuda.
De maneira resumida, a psicologia pode ser entendida como ”. Já a psiquiatria, que exige formação médica para ser exercida, se direciona para o estudo das perturbações psíquicas humanas.
O psicólogo está apto a tratar problemas relacionados a processos mentais, emocionais e comportamentais (estresses, traumas de todos os tipos, luto, depressão e ansiedade), com o auxílio de conhecimentos sociais e filosóficos. Ele se propõe a identificar, tratar e prevenir as alterações psicológicas, por meio de técnicas que envolvem, principalmente, a conversação. Além disso, esse profissional tem um amplo campo de atuação, podendo trabalhar tanto no atendimento clínico como na área de Recursos Humanos de empresas, orientação vocacional e psicologia escolar, entre outros.

O psiquiatra, em contrapartida, avalia e trata problemas psíquicos  focando na parte orgânica, por meio da avaliação fisiológica e química. Ele realiza seu trabalho com base na neurologia, psicofarmacologia e noções de psicologia, com o objetivo principal de restabelecer o equilíbrio l do cérebro, prevenir, diagnosticar e tratar transtornos que tenham tanto origem orgânica, como origem psíquica (dependência química, transtornos obsessivo-compulsivos, bipolaridade, depressão e ansiedades).
Essas duas áreas de atuação se complementam. É importante salientar, no entanto, que somente o psiquiatra possui conhecimentos e autorização para prescrever o uso de medicações que auxiliarão no tratamento dessas enfermidades.

Transtornos mentais


Embora a ansiedade e a depressão (caracterizada por tristeza, perda de interesse ou prazer, sentimentos de culpa ou baixa autoestima, sono e apetite alterados, cansaço e falta de concentração) sejam os transtornos mais conhecidos, existem vários outros que compõem o conjunto de desordens da mente. Entre eles, estão:
  • Transtorno Afetivo Bipolar
Esse transtorno, que afeta cerca de 60 milhões de pessoas em todo o mundo, consiste, tipicamente, em episódios de mania e depressão, separados por períodos de humor normal. No período de mania, o humor costuma ser irritado, além de envolver euforia, excesso de atividade e de autoestima, com menor  sono. Já no período depressivo, a pessoa pode sentir-se triste, cansada e sem energia, podendo ter dificuldade na concentração, no sono, dentre outras. Existem tratamentos que estabilizam o humor – que devem ser utilizados na fase aguda do transtorno e para prevenir novas crises -, além do apoio psicossocial, que é essencial.
  • Esquizofrenia e outras psicoses
Considerado um transtorno mental grave, estima-se que a esquizofrenia afeta 23 milhões de pessoas no mundo. Essa e outras psicoses são caracterizadas por distorções no pensamento, na percepção das emoções, da linguagem, da consciência do “eu” e no comportamento. As experiências psicóticas comuns incluem: alucinações (ouvir, ver ou sentir coisas não reais ) e delírios (falsas crenças ou suspeitas firmemente mantidas mesmo quando há provas que mostram o contrário). Existem também, outros sintomas dentro do quadro, como pensamento e habilidade motora desorganizada, ausência de contato visual e negligência da higiene pessoal por exemplo..A esquizofrenia geralmente tem início ao fim da adolescência ou no começo da vida adulta. O tratamento com medicamentos e apoio psicossocial costuma ser eficaz.

  • Demência
Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), aproximadamente 50 milhões de pessoas têm demência. Geralmente de natureza crônica ou progressiva, a condição é marcada pela deterioração da função cognitiva (capacidade de processar o pensamento), para além do esperado no envelhecimento normal. Incluem, entre muitos outros sintomas, a perda de memória, diminuição da agilidade mental e compreensão, diminuição das funções executivas e dificuldades de expressão. As formas de demência mais comuns são a doença de Alzheimer e as demências de causa vascular, como o  acidente vascular cerebral (popularmente conhecido como AVC). Embora não haja, atualmente, tratamento disponível para curá-la ou para alterar seu curso progressivo, muitos tratamentos estão em vários estágios de ensaios clínicos e podem melhorar a qualidade de vida.
  • Deficiência intelectual e transtornos de desenvolvimento, incluindo o transtorno do espectro autista 
O termo “transtorno de desenvolvimento” abrange deficiência intelectual dentre outros transtornos como o autismo. Esses distúrbios costumam começar ainda na infância, mas tendem a persistir na idade adulta, causando comprometimento, ou atraso, nas funções relacionadas ao amadurecimento do sistema nervoso central.  A deficiência intelectual é caracterizada pela diminuição de habilidades em várias áreas de desenvolvimento, como o funcionamento cognitivo e o comportamento adaptativo. Os sintomas de transtornos como o espectro autista  se refere a condições caracterizadas por algum comprometimento no  comportamento social; na comunicação e linguagem; e uma estreita faixa de interesses e atividades, que são únicas para o indivíduo e realizadas de forma repetida.

Campanha Setembro Amarelo


Desde 2014, a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), organiza a campanha do Setembro Amarelo, que tem como principal meta prevenir e reduzir os números de suicídios, ocasionados pelos transtornos mentais – com ênfase para a depressão -, além de alertar sobre a importância dos cuidados com a saúde mental. O dia 10 deste mês é, oficialmente, o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, ato responsável por, aproximadamente, 12 mil mortes anuais no Brasil e mais de 1 milhão no mundo, grande parte relacionadas aos jovens.
O movimento conta com o apoio da imprensa e com o auxílio de parceiros como o Centro de Valorização à Vida (CVV), uma das ONGs mais antigas do país. Fundado em São Paulo no ano de 1962, sua atuação consiste no apoio emocional e na prevenção do suicídio por meio do telefone 188, e também por chat, e-mail e presencial.

O CVV é membro fundador do Befrienders Worldwide, e ativo junto à IASP (Associação Internacional para Prevenção do Suicídio), Abeps (Associação Brasileira de Estudos e Prevenção do Suicídio) e outros órgãos internacionais que atuam pela causa.
Esperamos que o conteúdo seja esclarecedor e ajude você, caso necessário, a procurar ajuda. Este é o primeiro texto da série #BeepExplica de setembro, dedicada à Saúde Mental. Não perca as próximas matérias e lembre-se: você não está sozinho! 🙂

Lembrando que você pode fazer seus exames laboratoriais e acompanhar sua saúde com a Beep. 🙂



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Referências: Fiocruz | Organização Mundial da Saúde (OMS) | Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) | Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP) | Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) | Centro de Valorização à Vida (CVV) | The American Journal of Psychiatry | Revista Brasileira de Enfermagem (REBEn)