Nos primeiros textos da nossa série, abordamos questões do universo da amamentação e desvendamos alguns fatos curiosos sobre o leite materno. Agora, vamos explicar como as práticas de aleitamento e nutrição infantil se configuram no mundo.

Breve história da nutrição infantil


Durante toda a história, até hoje, o aleitamento materno tem sua importância reconhecida. A alimentação das crianças, por meio da amamentação, muitas vezes é garantia de sobrevivência. Mas nutrir e alimentar bebês também é uma forma de vínculo intrínseca a todos os animais na natureza.
Esse ato de devoção, amor e proteção da espécie foi retratado na mitologia, na filosofia, nas artes e na religião ao redor do mundo. Em períodos históricos marcados pelo declínio dos padrões éticos e sociais, também caíram as taxas de amamentação.
Ao longo das décadas, houve tentativas de pôr em prática a nutrição infantil artificial. Nos últimos tempos, novos movimentos foram feitos para reposicionar a amamentação com leite materno em destaque. Afinal, esse “líquido de ouro” tem um papel fundamental para o bem-estar humano, desde as primeiras horas de vida até a idade adulta!

Da pré-história até as sociedades modernas


Na pré-história, amamentar seus filhos por longos períodos era a prioridade das mães lactantes. A mesma lógica era adotada no Egito Antigo, onde mães amamentavam seus bebês até os seis meses de idade. Na antiguidade, a amamentação seguiu tendo importância crucial, e as deusas da maternidade eram representadas com seios nus. Na Mesopotâmia e na Grécia Antiga, amamentar era valiosíssimo.
Na China e em Israel, era comum amamentar crianças até os dois anos, enquanto na Índia, bastava os dentinhos dos bebês surgirem, por volta dos seis meses de idade, para a amamentação ser interrompida. No Islã, o aleitamento materno tinha uma base religiosa e, em média, seguia até os dois anos, e os pais escolhiam, cuidadosamente, as “amas de leite” para alimentarem seus bebês.
Essas “amas de leites” já estavam presentes nessas sociedades (aproximadamente, de 2000 A.C. até o século 20), mas grandes filósofos, como Aristóteles, eram contrários a essa prática. No entanto, essas mulheres passaram a ser uma escolha recorrente, quando o assunto era amamentação, em famílias ricas da Roma Antiga. Posteriormente, as amas foram legalizadas profissionalmente. Utensílios especiais para a nutrição artificial, como a mamadeira, também foram criados e comercializados. Nos dias de hoje, a “amamentação cruzada” – ou seja, por outra mulher que não a mãe biológica – é contraindicada, sendo permitida a alimentação com o leite humano doado, disponível nos Bancos de Leite Humano.

Alternativas ao leite materno


No final do século 18, e ao longo da história da humanidade, alguns substitutos para a nutrição infantil foram surgindo. Muitas crianças não tinham mães: algumas mulheres morriam no parto (antes da modernização da medicina, um em cada 100 partos resultava na morte da progenitora), outras simplesmente não ficavam com seus bebês e outras apresentavam dificuldades que existem até hoje – como, por exemplo, problemas na técnica da amamentação ou na produção de leite.
Até o final do século 19, adultos davam leite de animais (cabras, ovelhas, jumentas, ou o que houvesse na região) para bebês e crianças como forma de nutrição substituta. O mais comum, no entanto, era o leite de vaca – utilizado até hoje como parte da alimentação, seja de crianças, jovens ou adultos.
Nesse mesmo período, as mulheres precisaram voltar ao mercado de trabalho para contribuir financeiramente com o orçamento familiar, já que a população masculina estava servindo às guerras mundiais. A solução foi recorrer a outras formas de alimentar seus filhos e filhas.

O surgimento da fórmula infantil


No início do século 20, houve uma nova configuração da nutrição infantil , devido à produção e comercialização em massa do leite artificial – hoje conhecido como “fórmula infantil”.
Elaborada em 1865 pelo químico alemão Justus von Liebig, essa alternativa ao leite materno – primeiro, em estado líquido, depois em pó, para melhor conservação – foi revolucionária. Amplamente divulgada, a invenção abriu brecha para que várias outras fórmulas e produtos fossem comercializados, criando, assim, uma verdadeira indústria. Em 1883, já havia 27 marcas patenteadas de alimentos para bebês.
Por volta dos anos 1920, conforme as fórmulas se aperfeiçoaram e pesquisas confirmaram sua eficácia, as empresas intensificaram a propaganda do produto com médicos. Já nos anos 1940 e 1950, profissionais da saúde e consumidores consideravam a fórmula um substituto , seguro, reconhecido e popular, para o leite materno. O marketing agressivo desses produtos contribuiu para uma assustadora queda mundial na taxa de amamentação.
Em 1981, oficiais da saúde do mundo inteiro se reuniram na Assembleia Mundial da Saúde (WHA) e criaram o Código de Marketing para Substitutos do Leite Materno, a fim de regulamentar a comercialização e propaganda desses produtos. Nos anos 1990, a Academia Americana de Pediatria (AAP) lançou um manifesto listando suas razões para serem contra o marketing de fórmulas infantis para o público geral.
Os efeitos foram percebidos nos últimos anos: a prevalência de aleitamento materno aumentou, beneficiando cerca de 900 milhões de crianças no mundo. No entanto, é preciso manter atenção para este tema, já que a distribuição e divulgação da fórmula ainda é intensa, podendo desencorajar mulheres a amamentar.

Dados importantes sobre a amamentação no mundo


De acordo com uma pesquisa publicada pela UNICEF (Fundo de Emergência Internacional das Nações Unidas para a Infância) em 2018, analisando 123 países, os resultados mostraram que a maioria dos bebês no mundo são amamentados em algum momento de sua vida, porém, os dados variam de acordo com a realidade econômica de cada local.
Globalmente, apenas 4 em cada 10 bebês são exclusivamente amamentados – apenas 41% dos bebês foram alimentados exclusivamente com leite materno nos primeiros seis meses de vida, em 2018, conforme recomendado. Em comparação, essas taxas estavam, mais da metade – 50,8% –, nos países menos desenvolvidos economicamente.
Quanto ao tempo de aleitamento, cerca de 64% dos bebês, em famílias menos favorecidas economicamente, seguem sendo amamentados até os 2 anos de idade, conforme recomendação da UNICEF e Organização Mundial da Saúde (OMS). Já em famílias mais ricas, esse número cai para 41%.

Dados positivos do Brasil


Um estudo realizado em agosto de 2020 pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em conjunto com a Fiocruz e outras universidades, mostra que a amamentação exclusiva, no Brasil, entre crianças menores de quatro meses, aumentou 12 vezes em relação a 1986, saindo de 4,7% para 60%. O resultado é consequência de vários fatores, mas, principalmente, da garantia de licença-maternidade de quatro meses. Essa lei foi decisiva para ajudar a prevalência do aleitamento materno, até, pelo menos, essa idade. Infelizmente, o número cai para apenas 45% quando se trata de bebês de seis meses em amamentação exclusiva, já que muitas mulheres precisam voltar ao trabalho logo após a licença – ou até mesmo antes.
Os resultados mostram que iniciativas e práticas legais para a proteção, promoção e apoio ao aleitamento materno são essenciais para construir uma configuração social mais positiva e benéfica para mães, lactantes, cuidadores e, acima de tudo, para as crianças recém-chegadas. Afinal, são elas que terão um papel importante na construção do futuro. E qual futuro você deseja?
Fontes: Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI) | Organização Mundial da Saúde (OMS) | Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) | UNICEF (Fundo de Emergência Internacional das Nações Unidas para a Infância) | Ministério da Saúde | Emily E. Stevens, Thelma E. Patrick, Rita Pickler. A History of Infant Feeding. The Journal of Perinatal Education. Primavera de 2009, Volume 18, Número 2. | Papastavrou M, Genitsaridi SM, Komodiki E, Paliatsou S, RMidw, Kontogeorgou A, Nicoletta Lacovidou. Breastfeeding in the Course of History. Journal of Pediatrics and Neonatal Care. Neonatal Department, National and Kapodistrian University of Athens, Greece. Volume 2, artigo 6 – 2015. Publicação: 8 de setembro de 2015.

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