Todo exame de sangue é igual? O que é o hemograma? O hemograma completo entrega todos os diagnósticos? No segundo conteúdo da nossa série, a #BeepExplica o hemograma completo, o “verdadeiro” exame de sangue. Confira!

O que são “exames de rotina” ou “check-up completo”?


“Preciso fazer um check-up completo”. Você, com certeza, já ouviu ou falou essa frase antes. Mas o que seria esse “check-up”? 
Primeiro, é importante entender que nem todo mundo vai precisar “checar” as mesmas áreas do corpo e, por isso, não terá a mesma solicitação de exames. Essa avaliação médica de rotina vai de acordo com diversos fatores, como a idade, o sexo, o histórico pessoal e genético do paciente. Além disso, depende, também, do que o especialista quer investigar, quais são os riscos para a saúde e qual é o potencial patológico da pessoa avaliada, entre outros dados essenciais para um diagnóstico preciso. Afinal, os exames de rotina ajudam na prevenção das doenças e no início precoce de tratamento.
Normalmente, o endocrinologista vai incluir a análise da tireoide em um check-up; o cardiologista vai avaliar as taxas de colesterol; o gastroenterologista vai solicitar uma função hepática ou avaliação das fezes, por exemplo. Mas, em geral, o hemograma é um exame muito comum nas avaliações do estado de saúde de um paciente.

Hemograma x exame de sangue


Provavelmente, em algum momento da sua vida, foi solicitado algum pedido de exame de sangue. Mas, ao contrário do que se imagina, nem todo exame de sangue é um hemograma. Sequer são palavras sinônimas.
O hemograma, também conhecido como “hemograma completo”, é um tipo de exame por coleta sanguínea, mas não é o único e nem apresenta todos os dados de desempenho do nosso organismo. Para essa avaliação completa, são solicitados diversos exames, que podem ser feitos tanto por coleta sanguínea, como por coleta de urina, fezes, ou até mesmo por imagem – como a endoscopia e ultrassonografia, por exemplo.

#BeepExplica o hemograma


Mesmo com significados diferentes, o hemograma pode ser considerado o “real” exame de sangue porque checa os componentes… do sangue! O sangue – do latim Sanguis – é um tecido conjuntivo formado por plasma (parte líquida) e por células em suspensão (hemácias, leucócitos e plaquetas). Suas principais funções são: transportar oxigênio e nutrientes no corpo, defender o organismo contra agentes estranhos e participar da coagulação.
Portanto, o hemograma analisa as células sanguíneas verificando se estão dentro da normalidade. Pode ser solicitado como exame de rotina, ou na investigação de possíveis patologias (como anemias, infecções, câncer, dentre outras).
Segundo a Academia de Ciência e Tecnologia, o hemograma passou a fazer parte da prática médica em 1925, por meio de critérios estabelecidos pelo médico e farmacêutico alemão V.Schilling. Atualmente, continua sendo um exame muito solicitado, para uma avaliação geral e também pesquisa de condições específicas. Ao estudar os resultados, utilizam-se números de referência, que podem variar de laboratório para laboratório. Mas, em geral, são números baseados na literatura científica e comparados dentro de padrões considerados normais, conforme sexo e idade do paciente. Abaixo, você pode conferir a tabela do Programa Nacional de Controle de Qualidade, patrocinado pela Sociedade Brasileira de Análises Clínicas (SBAC):

Conhecendo o nosso sangue


Série vermelha: glóbulos vermelhos, hemácias ou eritrócitos


Os glóbulos vermelhos, também conhecidos como hemácias ou eritrócitos, são as células da série vermelha e contêm grande quantidade de hemoglobina. A principal função da hemoglobina é armazenar e transportar o oxigênio para todos os tecidos do nosso corpo.
Essa parte do exame – também chamado de eritrograma – investiga a série vermelha, incluindo: contagem de eritrócitos, dosagem da hemoglobina e do hematócrito, VCM (Volume Corpuscular Médio), HCM (Hemoglobina Corpuscular Média), CHCM (Concentração de Hemoglobina Corpuscular Média) e RDW (Red Cell Distribution Width). Cada um desses tem seu papel, mas, em geral, o eritrograma avalia condições como: anemias, policitemia e leucemias, por exemplo.

Entenda os resultados



Interpretar os índices do eritrograma é algo complexo e, na verdade, pouco útil para pessoas sem formação médica, já que é necessário conhecer muito bem os tipos de anemia para que os dados sejam úteis. Por isso, nunca tire conclusões precipitadas nem pratique o autodiagnóstico. Sempre escute a avaliação do seu médico de confiança.

+ Veja mais detalhes sobre esses dados no exame de sangue


Série branca: glóbulos brancos ou leucócitos


Também chamados de “leucócitos” – do grego Leukos, branco e Kytos, célula -, os glóbulos brancos são responsáveis pela defesa do nosso organismo, protegendo contra corpos estranhos, microrganismos invasores, além de nos ajudar na cicatrização e nos proteger contra células cancerosas. Ou seja, são parte fundamental do nosso sistema imunológico. 
É essa parte do hemograma – chamada de leucograma – que investiga possíveis infecções, inflamações, alergias e leucemias. O valor normal dos leucócitos em um adulto varia de 4.000 a 11.000 células por milímetros cúbicos. Quando o número está abaixo, dá-se o nome de leucopenia; quando está elevado, chama-se leucocitose.
Contudo, os leucócitos se dividem em cinco principais tipos, que desempenham diferentes funções: eosinófilos, basófilos, neutrófilos, monócitos e linfócitos. No hemograma, para entender alterações na contagem, todos esses grupos são analisados, já que cada um tem seu papel de defesa.

Entendendo os resultados


Alguns fatores podem interferir na contagem de leucócitos, que pode sofrer uma alteração inespecífica. Por isso, é importante a avaliação médica global e não só do leucograma. Mas, em geral, a contagem de leucócitos costuma ser altíssima em casos de leucemia – um tipo de câncer dos glóbulos brancos. Já em infecções comuns, podem resultar em um aumento menor.
Taxas fora do padrão de neutrófilos, especialistas em combater agentes como bactérias, podem sugerir infecção bacteriana, desde que associadas a outras manifestações clínicas condizentes. Os linfócitos, responsáveis pela produção de anticorpos, são comuns no “combate” aos vírus. Por isso, altas taxas desse elemento no corpo podem sugerir um processo viral. Já os monócitos podem ser ativados tanto em processos virais quanto bacterianos, e se elevam principalmente nas infecções crônicas.
Altas taxas de eosinófilos costumam aparecer em pessoas alérgicas, com quadro de asma, por exemplo, ou em casos de infecção por parasitas intestinais. Por fim, os basófilos – menos usados nas avaliações patológicas – sugerem processos alérgicos e inflamação crônica, quando alterados.
Fonte: Programa Nacional de Controle de Qualidade, patrocinado pela Sociedade Brasileira de Análises Clínicas | Fonte original: Dacie and Lewis – Practical Haematology. 12th Edition, 2017

Plaquetas


A plaqueta – do sueco Plack, “placa”, e do francês Ette, pequeno – também é chamada de fragmento de célula ou de trombócito. Produzida na medula óssea, sua principal função é participar do processo de coagulação sanguínea.
Explicando de uma forma simples: as plaquetas estão circulando no nosso sangue até que, quando acontece uma ruptura ou dano nos vasos sanguíneos, elas se unem e se mobilizam até a área lesionada, criando ali um coágulo, ou seja, uma barreira. Quando você tem um corte acidental, por exemplo, são elas que contribuem, impedindo uma hemorragia. Portanto, é essencial ter um número equilibrado de plaquetas no nosso sangue, e é isso que o hemograma investiga.

Digam lá, plaquetas


Uma contagem normal varia entre 150,000 e 450,000 plaquetas por milímetro cúbico de sangue. Em excesso, se chama trombocitose, que pode ser classificada como primária ou secundária. 
Na trombocitose ocorre uma produção muito acima da média de plaquetas na medula óssea. Existem diferentes causas para isso, podendo ser hereditárias ou adquiridas. 
Algumas manifestações incluem:
  • Fraqueza;
  • Dores de cabeça;
  • Formação espontânea de coágulos.

E algumas condições que podem estar associadas: 
  • Doenças inflamatórias crônicas (como artrite reumatoide, doença intestinal inflamatória, tuberculose, sarcoidose, granulomatose com poliangiite);
  • Infecção aguda, de forma reacional;
  • Deficiência de ferro;
  • Câncer;
  • Esplenectomia ou hipoesplenismo.

Muitas vezes, os sintomas estão relacionados às condições acima e, ao tratar essas condições, isso deve ajudar na normalização da quantidade de plaquetas.
Quando a contagem de plaquetas está abaixo do esperado, chama-se trombocitopenia. São decorrentes da diminuição de sua produção pela medula óssea, do aumento de destruição ou outras causas. Os principais sinais incluem: surgimento de hematomas com facilidade e frequência de sangramento do nariz, gengiva ou trato digestivo. Exemplos de trombocitopenia: 
  • Induzida por medicação;
  • Condição imunológica e genética;
  • Certos tipos de câncer, como leucemia ou linfoma;
  • Quimioterapia.

Como interpretar os resultados?


É importante lembrar que não só a quantidade de plaquetas no sangue é determinante para o diagnóstico, mas também a maneira como elas estão funcionando. Muitas vezes, isso é uma questão hereditária e, portanto, é fundamental avisar ao seu médico se houver casos de doenças relacionadas às plaquetas, ou à coagulação, na família.
Lembrando, sempre, que realizamos exames laboratoriais no conforto do seu lar. É só baixar o nosso app, checar a cobertura do seu plano de saúde, enviar uma foto do pedido médico e agendar a melhor data para você.
Faz em casa, #FazUmBeep!


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+Veja também os outros textos da série:

  1. #BeeExplica: Exames de rotina – Colesterol e triglicerídeos
  2. #BeepExplica: Exames de rotina: As vitaminas

Fontes:
Uptodate | National Cancer Institute | John Hopkins Medicine | Medical News Today | Ministério da Saúde | Manual MSD | SBAC (Sociedade Brasileira de Análises Clínicas) | MD Saúde | Universidade Federal de Ouro Preto | PubMed | Academia de Ciência e Tecnologia | Descomplica | DA SILVA, Carlos Roberto Lyra; DA SILVA, Roberto Carlos; VIANA, Dirce Laplaca. Dicionário Ilustrado de Saúde: Compacto. 2ª edição, revisada e ampliada. Editora Yendes. | file:///C:/Users/Maria%20Eugenia/Desktop/Dicionario%20Ilustrado%20de%20Saude.pdf