#BeepExplica: Exames de rotina – Colesterol e triglicerídeos

O que são exames de rotina? Para o que servem? Check-up completo é igual para todo mundo?
Na nossa nova série #BeepExplica, vamos embarcar em uma jornada para desvendar mistérios e responder perguntas sobre temas relevantes na área da saúde. Em julho, vamos te ajudar a entender alguns exames de rotina, ou seja, aqueles mais solicitados pelos médicos. Começando por um dos mais comuns, vamos descomplicar os exames de colesterol e triglicerídeos, que servem para verificar taxas de gordura (lipídios) no corpo.

Por dentro do colesterol e dos triglicerídeos

Saiba como os exames de sangue são importantes para controlar os níveis dessas substâncias no organismo
Colesterol: vilão ou não? Eis a questão que gera muitas dúvidas para a maior parte da população. Você já deve ter ouvido falar em termos como “HDL”, “LDL”, “colesterol bom” e “colesterol ruim” ou fez algum exame de sangue para verificar essas taxas. Ainda que seja um assunto corriqueiro, nem sempre é fácil entender o que os níveis de colesterol expressam em nosso organismo e quais disfunções podem ocasionar.  Isso também acontece com os triglicerídeos. Certamente seu médico já solicitou esse exame, mesmo que você não entenda exatamente o que seja, do que se trata e para que serve.

Colesterol x triglicerídeos: você sabe diferenciar?


Antes de iniciarmos este texto, é necessário quebrar o estigma de que o colesterol sempre faz mal ao organismo. Esse composto químico desempenha um papel importante para o bom funcionamento do corpo, sendo responsável pela produção de alguns hormônios e de ácidos biliares (que ajudam na digestão de comidas gordurosas). Tanto taxas de colesterol muito altas quanto muito baixas podem se tornar um alerta. Portanto, nossa alimentação deve ser equilibrada.
A origem do colesterol é 70% endógena, ou seja, ele é produzido e absorvido pelo nosso próprio organismo, no fígado. Os 30% restantes são de origem exógena, o que significa que ele é adquirido por meio dos alimentos que consumimos.
Os triglicerídeos (triglicérides ou triglicéridos), assim como o colesterol, são um tipo de gordura, mas funcionam como reserva de energia para o nosso corpo. Eles compõem a maior parte das gorduras provenientes da nossa dieta, apesar de também serem sintetizados pelo organismo.
O grande problema é que os triglicerídeos são armazenados em nossos tecidos adiposos como gordura. Quando estão elevados, representam, por exemplo, um fator de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Quando aparecem aquelas “gordurinhas” indesejadas, principalmente nos quadris ou na barriga, provavelmente existem níveis de triglicerídeos em excesso no corpo. Esse processo acontece porque, quando comemos doces, massas, pães e outros carboidratos em grandes quantidades, nosso organismo transforma o açúcar excedente desses alimentos em triglicerídeos.
Os níveis elevados de colesterol e triglicerídeos podem ter origem genética, ou seja, quando o próprio organismo produz essas gorduras em excesso ou não consegue remover o excesso delas do corpo; ou podem ser causados pelo estilo de vida e outros fatores, como: 
  • ter comorbidades (diabetes mellitus, doença renal crônica, disfunções na tireoide, dentre outras);
  • utilizar alguns tipos de medicamentos;
  • consumir álcool em excesso;
  • utilizar anabolizantes; 
  • tabagismo;
  • estresse;
  • idade maior que 45 anos;
  • obesidade.

#BeepExplica mais sobre o colesterol


O transporte do colesterol no sangue é realizado por moléculas importantes, chamadas de lipoproteínas. Elas são divididas em três tipos: 
  • LDL ou lipoproteína de baixa densidade (do inglês low density lipoprotein), conhecida como “colesterol ruim”;
  • VLDL ou lipoproteína de densidade muito baixa (do inglês very low-density lipoprotein), também conhecida como a parte ruim do colesterol;
  • HDL ou lipoproteína de alta densidade (do inglês high density lipoprotein), conhecida como “colesterol bom”.

A importância do exame de rotina


O LDL e o VLDL, quando estão em níveis elevados, podem se depositar nas paredes dos vasos sanguíneos. Como consequência, temos a formação de placas de gordura, chamadas de ateroma. As placas de ateroma podem desenvolver uma doença chamada aterosclerose, que dificulta o fluxo normal de sangue pelo corpo.
Quando isso acontece, o oxigênio e os nutrientes que os nossos tecidos precisam não conseguem chegar até eles. Se os vasos prejudicados forem artérias do coração, o resultado pode ser um risco alto para doenças cardiovasculares (angina, infarto) e cerebrovasculares (Acidente Vascular Cerebral – AVC -, conhecido como derrame). O HDL faz o papel contrário, tirando o colesterol das paredes das artérias e devolvendo-o ao fígado para ser excretado.
O excesso de triglicerídeos também pode causar doenças cardiovasculares, além de estar associado ao acúmulo de gordura no fígado, que pode provocar um distúrbio conhecido como esteatose hepática.  
Mas, em ambos os casos, nem sempre existem sintomas que nos fazem desconfiar de possíveis alterações nas taxas de gordura no sangue. Por isso, as doenças que citamos anteriormente podem surgir de maneira silenciosa, sendo importante a prevenção, além de acompanhamento médico e exames de rotina. Assim, o médico pode acompanhar o seu histórico e, se necessário, orientar sobre a mudança de alguns hábitos, principalmente os alimentares e relacionados à prática de atividades físicas.

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Como interpretar os níveis de colesterol e triglicerídeos no sangue?


Para todas as idades, existem valores de referência, que são utilizados para estipular uma média entre essas taxas e expressar se os níveis de colesterol e triglicerídeos no seu sangue estão aceitáveis, abaixo ou muito acima do normal. As tabelas abaixo foram retiradas da Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose (2017), produzida pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), e possuem os valores de referência utilizados pelos laboratórios que realizam esse tipo de exame:
Tabela I – Valores de referência e de alvo terapêutico, conforme avaliação de risco cardiovascular estimado pelo médico solicitante do perfil lipídico para adultos com mais de 20 anos

Lípides

Com jejum (mg/dL) Sem jejum (mg/dL)

Categoria referencial

Colesterol total < 190 < 190 Desejável
HDL-c > 40 > 40 Desejável
Triglicerídeos < 150 < 175 Desejável
Categoria de risco
LDL-c < 130 < 130 Baixo
< 100 < 100 Intermediário
< 70 < 70 Alto
< 50 < 50 Muito alto
Não HDL-c < 160 < 160 Baixo
< 130 < 130 Intermediário
< 100 < 100 Alto
< 80 < 80 Muito alto

De maneira resumida, essa tabela mostra que, para adultos com mais de 20 anos, o ideal é que o colesterol total esteja abaixo de 190 mg/dL; que o HDL, considerado o nosso “colesterol bom”, esteja acima de 40 mg/dL; e que os triglicerídeos estejam abaixo de 150 mg/dL, quando o exame for realizado em jejum, e abaixo de 175 mg/dL, quando o exame for realizado sem jejum.
Na coluna “categoria de risco”, em que utiliza-se como parâmetro o LDL e HDL para a mesma faixa etária, considera-se um risco baixo para ter alguma disfunção, se o LDL estiver abaixo de 130 mg/dL; risco intermediário se estiver abaixo de 100 mg/dL; risco alto se estiver abaixo de 70 mg/dL; e risco muito alto se estiver abaixo de 50 mg/dL. Para o não HDL, considera-se um risco baixo se estiver abaixo de 160 mg/dL; risco intermediário se estiver abaixo de 130 mg/dL; risco alto se estiver abaixo de 100 mg/dL; e risco muito alto se estiver abaixo de 80 mg/dL.
Tabela II – Valores de referência para lípides e lipoproteínas em crianças e adolescentes (Grau de Recomendação: IIa; Nível de Evidência: C)

Lípides

Com jejum (mg/dL)

Sem jejum (mg/dL)

Colesterol total < 170 < 170
HDL-c > 45 > 45
Triglicerídeos (0-9 anos) < 75 < 85
Triglicerídeos (10-19 anos) < 90 < 100
LDL-c < 110 < 110

Para crianças e adolescentes, os valores de referência mudam: considera-se desejável que os níveis de colesterol total estejam abaixo de 170 mg/dL; que os níveis de HDL estejam acima de 45 mg/dL; e que os níveis de LDL estejam abaixo de 110 mg/dL. Em relação aos triglicerídeos, eles variam de acordo com a idade, sendo recomendado que, entre 0 e 9 anos de idade, os níveis estejam abaixo de 75 mg/dL, e que entre 10 e 19 anos, estejam abaixo de 90 mg/dL.

É possível reduzir as taxas de colesterol e triglicerídeos?


Sim! Felizmente ter níveis elevados de gordura no sangue pode não ser uma condição permanente. Melhor ainda: muitos casos não necessitam nem de tratamento medicamentoso. A prática de exercícios, associada a uma alimentação balanceada, pode ser suficiente para tratar essas alterações.
Ficou curioso para saber como estão os níveis de colesterol e triglicerídeos no seu sangue? Então procure um profissional de saúde e não se esqueça de agendar seus exames com a gente!  O futuro da saúde está a um Beep de distância. 🙂
Referências: Revista Brasileira de Epidemiologia | Sociedade Brasileira de Diabetes | MD.Saude | Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia | Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro | Sociedade Brasileira de Cardiologia | Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais | Sociedade Brasileira de Pediatria