Inspirados pela campanha Setembro Amarelo, preparamos uma série especialmente voltada para a compreensão do que é saúde mental e qual é a importância de observar esse campo da saúde.
Ter cuidado com o nosso psicológico e emocional ajuda a prevenir quadros de depressão e outros transtornos, em diversas fases, desde a infância até as idades mais avançadas. Não por acaso, um dos momentos em que mais devemos estar atentos aos cuidados com a mente é quando a mulher passa por uma das mais intensas transformações da vida humana: a maternidade.
Para ter essa conversa complexa e profunda, convidamos duas médicas parceiras da Beep, especializadas em saúde feminina. Mas, antes, vamos explicar um pouco sobre os distúrbios psicológicos que costumam atingir a mulher que se torna mãe.

Baby blues e depressão pós-parto


Em geral, transtornos mentais perinatais podem incluir ansiedade, psicose pós-parto, transtorno de pânico, fobias e transtorno de estresse pós-traumático, sendo os mais comuns, o baby blues (também chamado de “tristeza puerperal”) e a depressão pós-parto – sendo que esse segundo acomete entre 10% a 20% das mulheres, de acordo com dados da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).
O baby blues é uma alteração psíquica leve, em geral, de transição, bem mais frequente entre as puérperas. Atinge cerca de 50% a 80% das mulheres, normalmente por volta do 3º e 4º dia do pós-parto. Seus sintomas incluem choro, flutuação de humor, irritabilidade, fadiga, tristeza, insônia, dificuldade de concentração e ansiedade relacionada ao bebê. Mas esses sentimentos são intercalados com momentos de muita alegria e satisfação, devido a mudanças hormonais que acontecem nessa fase.
Por ser uma condição menos “grave”, não é indicado o uso de nenhum medicamento específico. A tristeza puerperal costuma desaparecer até o final da segunda semana de vida do bebê, principalmente se a mãe tiver o apoio familiar e/ou de pessoas que convivam com ela.
O Ministério da Saúde explica a depressão pós-parto como “uma condição de profunda tristeza, desespero e falta de esperança que acontece logo após o parto”. Não existe um motivo específico para esse diagnóstico, pois normalmente a condição está associada a diversos fatores, tais como: estilo e qualidade de vida, histórico familiar de outros transtornos mentais, privação de sono, isolamento, alimentação inadequada, sedentarismo, falta de apoio do(a) parceiro(a), falta de apoio da família, ansiedade, estresse e vícios, entre outros. No entanto, a principal causa da depressão pós-parto é o enorme desequilíbrio hormonal, que costuma acontecer ao término da gravidez.
Se não tratada a tempo, a depressão pós-parto pode criar efeitos nocivos no desenvolvimento social, afetivo e cognitivo da criança, além de sequelas prolongadas na infância e adolescência.
Há alguns estudos que alegam existir esse quadro também em homens, normalmente como uma manifestação de preocupação excessiva com sua própria capacidade de educar um recém-nascido, ansiedade em prover uma boa vida para a criança, aumento das responsabilidades e o suporte que se deve dar à(o) parceira(o).
Caso você esteja experimentando esses sintomas, é recomendável que procure ajuda psicológica ou consulte um médico de sua confiança. Você não precisa passar por isso sozinha! 🙂

As mães também precisam de cuidados


Segundo a Dra. Fernanda Pedroni, ginecologista e obstetra, é absolutamente comum que as mulheres, durante a gestação e após o parto, fiquem com o psicológico comprometido. “Praticamente 100% das mulheres, em algum momento, ficam alteradas”, diz. Ela explica que a depressão é o distúrbio que mais atinge a gestante e puérpera.
“Acredito que a responsabilidade extrema de uma hora para outra, a sensação, muitas vezes de impotência, diante de certas situações, privação de coisas que fazia antes, além da sobrecarga por unir múltiplas tarefas, contribuem para esse mal-estar materno”, comenta a médica.
Uma mãe que apresenta perfeitas condições de saúde física e mental já enfrenta desafios imensos na criação de um filho, portanto, é fundamental que ela tenha auxílio para cuidar do seu bem-estar. “Se uma mulher está com uma dessas saúdes comprometidas, a missão da criação se torna ainda mais confusa e difícil”, finaliza.

Orientação e muita conversa


A ginecologista e especialista em medicina fetal, Dra. Samara Maeda, apontou outras questões que podem causar o mal-estar materno, como a perda da identidade como mulher e a dificuldade em se reconhecer na nova “função” de mãe.
“O medo de não saber cuidar do recém-nascido, as noites mal dormidas, uma possível dor nos seios e abdômen, somadas ao bebê chorando e ao estresse da privação de sono, também contribuem pro quadro”, explica.
A médica defende que a orientação no pré-natal e na consulta de retorno pós-parto, aliados a uma constante conversa e atenção aos sinais da paciente, são atitudes simples que podem ser feitas para prevenir, ou diminuir, as chances de desenvolvimento de transtornos psicológicos após o nascimento do bebê.
“Conversa, psicoterapia e pedir auxílio da família para a divisão de funções também são ferramentas que podem auxiliar as mães que passam por momentos difíceis”, complementa Dra. Samara.
Por fim, ela esclarece que é importante estar atenta para garantir que não haja uma evolução do “blues puerperal” (ou baby blues) para um quadro depressivo grave. “Uma mãe calma e tranquila terá maior produção de leite, transmitirá essa calma para o recém-nascido, se sentirá mais segura nessa ‘nova profissão’ e confiante que dará conta de tudo!”, estimula a médica.
Esperamos que este texto tenha esclarecido dúvidas e dado suporte na sua jornada emocional e psicológica durante a maternidade.
Lembrando que saúde mental também é saúde e precisa dos mesmos cuidados! Para cuidar da saúde física, a Beep te ajuda: aqui, você pode realizar exames durante e após a gestação, aplicar imunoglobulinas que ajudam na saúde fetal e se vacinar, além de vacinar o seu bebê. Baixe o nosso aplicativo e faça tudo no conforto de casa. 🙂


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