A adolescência é uma fase da vida marcada por muitas mudanças, transformações, experimentações e descobertas. Porém, também deve ser uma época de atenção e cautela. É muito importante que os adolescentes aprendam, desde cedo, a cuidar da saúde: seja física, mental ou sexual. Para isso, é fundamental que eles estejam cercados de adultos responsáveis para orientá-los da melhor forma possível.

Como funciona a cabeça do adolescente


Segundo o artigo publicado pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a parte do cérebro responsável pelo pensamento abstrato, planejamento e tomada de decisões se desenvolve por último no adolescente. É mais difícil para o jovem formar as próprias opiniões, ter ideais firmes e convicções imutáveis, debater ideias e usar o pensamento lógico. O perigo, como já se sabe, é que muitos se deixam influenciar e acabam tomando atitudes prejudiciais ao seu bem-estar, seja por escolhas negativas, seja por falta de atenção ao próprio corpo.

Para contribuir com o autocuidado do jovem, é essencial manter a caderneta de vacinação deles em dia, atualizada de acordo com o Calendário Vacinal do Adolescente. Aliás, você sabia que existe uma lista específica de vacinas indicadas para esse grupo?

A importância da vacinação em dia


Em termos de vacinação, a adesão dos jovens ainda está muito abaixo do desejado. Segundo o Ministério da Saúde, em 2017, quando o Programa Nacional de Imunizações (PNI) passou a oferecer um reforço da vacina meningocócica C na adolescência, o número de vacinados nunca chegou a 50% – a meta era de 95%. O mesmo foi observado com a vacina HPV. As coberturas acumuladas de 2014 a 2020 foram de, aproximadamente, 70% (primeira dose) e 45% (segunda dose) para meninas e de 45% (primeira dose) e 31% (segunda dose) para meninos. A meta era de 80%.
Por conta desse cenário, no fim do ano de 2020 e início de 2021, a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) promoveu uma campanha de conscientização para a vacinação de adolescentes. A ação teve como objetivo aumentar a participação desse grupo nos calendários vacinais, além de estimular o autocuidado e a prevenção coletiva. A proposta também era incentivar o diálogo com os responsáveis, profissionais da saúde, educadores e outros meios de informação que dialogam com os jovens.

Lembrando que a gravidez na adolescência pode – e deve – ser evitada. Mas, caso aconteça, há recomendações específicas de vacinação para gestantes. Consulte todas as informações na página especial da SBIm.

E, afinal, quais são as vacinas para os adolescentes?


dT (difteria e tétano), dTpa (difteria, tétano e coqueluche) ou dTpa + IPV (difteria, tétano, coqueluche e poliomielite inativada)


A vacina tríplice bacteriana (dTpa) previne contra difteria, tétano e coqueluche, uma doença grave. É recomendada para reforço a partir dos 4 anos de idade, na adolescência, em adultos e idosos. Adolescentes que não tomaram, ou sem registro de três doses de vacina contendo o componente tetânico, devem tomar uma dose de dTpa seguida de duas doses da dT (difteria e tétano). Essa vacina é inativada, não havendo chance de causar a doença.
A dT é oferecida para todas as pessoas, nos postos de saúde. Já a dTpa é oferecida nos postos de saúde apenas para gestantes, mas você também pode se vacinar no conforto de casa com a Beep, é só baixar o nosso aplicativo. É importante lembrar que, na falta da dTpa isolada, há a opção de usar a vacina dTpa+VIP (Tríplice Bacteriana + Poliomielite inativada).

Hepatite A, B ou A+B


A vacina contra hepatite A combate o vírus da hepatite A, uma doença que pode evoluir para a forma fulminante e até causar a morte. As pessoas contaminadas transmitem esse vírus por muito tempo e a sua eliminação pelas fezes pode contaminar objetos, água e alimentos, podendo infectar outros. É indicada a partir dos 12 meses de vida e dividida em duas doses, com seis meses de intervalo entre elas. Já a vacina contra hepatite B protege contra a hepatite causada pelo vírus B (HBV), doença que atinge o fígado e pode evoluir para cirrose ou câncer. Ambas estão disponíveis, para adolescentes, na rede pública.

A vacina A+B é composta por antígeno do vírus da hepatite A + B e acaba sendo uma boa opção para quem ainda não foi imunizado contra os dois tipos de hepatite. Nesse caso, a indicação para menores de 16 anos é de duas doses com intervalo de 6 meses (0-6 meses). Para maiores de 16 anos: 3 doses com intervalo de 1 mês entre a primeira e segunda dose e intervalo de 6 meses entre a primeira e última dose (0-1-6 meses). Esta vacina não está disponível no sistema público, mas tem na Beep!

HPV


A vacina HPV Quadrivalente é responsável por prevenir diversos tipos de câncer e verrugas genitais causadas por diferentes tipos de HPV, o Papilomavírus Humano. É indicada para meninas e meninos a partir de 9 anos de idade. Na rede privada é disponibilizada para meninas e mulheres de 9 a 45 anos e meninos e homens de 9 a 26 anos. Saiba mais no link. Sendo que, pessoas acima da faixa etária recomendada, também podem se beneficiar do uso da vacina. Nesses casos, a indicação fica a critério médico. No SUS a vacina é licenciada para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos.

Meningocócica B


Essa vacina previne a meningite e infecções generalizadas causadas pela bactéria meningococo do tipo B. É recomendado, pelas Sociedades Brasileiras de Pediatria (SBP) e de Imunizações (SBIm), o uso rotineiro de duas doses (aos 3 e 5 meses de vida) e um reforço entre 12 e 15 meses na vacinação infantil. Porém, a meningocócica B só chegou ao Brasil em 2015, então os adolescentes de hoje não se vacinaram na infância. Para esse grupo, são recomendadas duas doses com intervalo de 1 a 2 meses. Está disponível apenas na rede privada.

Meningocócicas conjugadas ACWY/C


Aqui, a proteção é contra as bactérias Neisseria meningitidis dos tipos A, C, W e Y e a doença meningocócica. Está disponível na rede pública para quem tem 11 ou 12 anos. Antes dessa idade, a rede pública oferece apenas a vacina meningocócica C conjugada, que protege apenas contra o tipo C. O indicado é que a vacinação seja iniciada aos 3 meses de idade, com uma dose aos 3 e outra aos 5 meses – nesse caso, só está disponível na rede privada (tem na Beep!). Também é necessário uma dose de reforço aos 12 meses, 5 anos e 11 anos de idade. Os adolescentes que não receberam a vacina ACWY devem tomar duas doses, com intervalo de cinco anos.

Tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola)


A vacina tríplice viral, também conhecida como “triviral”, como o nome já sugere, essa vacina protege contra três doenças: sarampo, caxumba e rubéola. Pode ser encontrada na rede pública e na privada. É considerado protegido o adolescente que tenha recebido duas doses acima de 1 ano de idade, com intervalo mínimo de 1 mês entre elas.
É importante frisar que, em casos de risco aumentado, como em surtos, existe a possibilidade de antecipar a vacina a partir dos 6 meses de idade, sendo essa dose chamada de dose zero e não contabilizada como rotina. Portanto, mantém-se a necessidade de mais 2 doses a partir dos 12 meses.

Varicela (catapora)


A vacina contra varicela é atenuada (feita com vírus vivos enfraquecidos) e protege contra a infecção causada pelo vírus Varicela-Zóster, popularmente conhecido como “catapora”.Adolescentes que já tiveram varicela (catapora) não precisam ser vacinados. Para essa faixa etária, aqueles que não foram vacinados ou sem comprovação de histórico vacinal, são recomendadas duas doses com intervalo de 1 a 2 meses. Para os adolescentes que, além da varicela, ainda não estão com as vacinas atualizadas contra sarampo, caxumba e rubéola, existe a possibilidade de receber a vacina tetraviral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela).

A vacina contra a varicela pode ser encontrada na Beep, com atendimento domiciliar e em clínicas privadas de vacinação. Na rede pública,  é oferecida a vacina tríplice viral para adolescentes. A tetraviral é disponibilizada apenas para crianças.

Gripe (Influenza)


Protege contra o vírus Influenza, que atinge as vias respiratórias e causa a doença comumente conhecida como “gripe”. Temos um texto completo sobre o assunto aqui no blog, mas é importante saber que, a partir dos 6 meses de idade, a recomendação é que todos se vacinem contra a gripe, conforme orientação da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBim). Na rede pública existe uma ordem de prioridades para a vacinação. No caso de adolescentes, só estão incluídos aqueles que fazem parte do grupo de risco (com asma grave, diabetes, doenças pulmonares e/ou cardíacas e/ou do rim e/ou do fígado, entre outras), e somente durante as campanhas públicas de vacinação. A dose é única e anual para esta faixa etária.

Febre Amarela


A vacina da Febre Amarela protege contra a doença infecciosa transmitida por mosquitos vetores em locais rurais e urbanos, comum nas regiões tropicais da América do Sul e África. É indicada uma dose para os adolescentes que não se vacinaram, para aqueles que se vacinaram antes dos 5 anos de idade ou para quem não tem certeza se tomou essa vacina. A vacina contra febre amarela também pode ser recomendada em casos de residentes ou viajantes para áreas endêmicas (uma dose) ou para atender exigências sanitárias de determinadas viagens internacionais.
Fontes: SBIm | SBP | SBIm | QuemVacinaNãoVacila